19 anos depois, São Tomé troca Taiwan pela China

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Taipé recusou dar 100 milhões de dólares em ajuda. Pequim aplaude rutura que deixa ilha rebelde só com 21 aliados diplomáticos

Numa altura em que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, decidiu dar protagonismo a Taiwan (mesmo que temporário), telefonando à presidente Tsai Ing-wen, a ilha acaba de sofrer uma derrota diplomática depois de o governo de São Tomé e Príncipe ter decidido reconhecer a China, cortando relações com aquele que desde 1997 era o seu aliado preferencial.

“A nossa visão de desenvolvimento passa pela abertura e cooperação com todos. Temos a nossa agenda, os nossos interesses, temos a nossa programação e temos o compromisso com o povo de melhorar as suas condições de vida”, disse Patrice Trovoada, em conferência de imprensa, comentando a decisão tomada terça-feira no Conselho de Ministros.

“No que diz respeito a Taiwan, decidimos o princípio de aderir a uma só China e ao aderir implica o corte das relações com Taiwan. O cenário internacional há 20 anos não é o mesmo de hoje”, acrescentou o chefe do governo. As trocas comerciais de São Tomé com a China são de 57 milhões de dólares (54,6 milhões de euros) e com Taiwan são de apenas 800 mil dólares (cerca de 843 mil euros), segundo cálculos da Lusa.

“Não me causa estranheza nenhuma, na medida em que, o que foi feito em 1997, quase 20 anos depois conheceu uma evolução. As relações entre os Estados não são estáticas, a vida política também não é estática”, disse Miguel Trovoada, pai de Patrice, em declarações à Lusa por telefone. Miguel Trovoada era primeiro-ministro quando, em 1975, São Tomé reconheceu a China e presidente quando, em 1997, decidiu passar-se para o lado de Taiwan. Agora, volta a reconhecer só uma China.

O governo taiwanês disse que São Tomé e Príncipe tentou “tirar proveito ao balançar entre os dois lados do Estreito” e denunciou que o governo de Patrice Trovoada pedira “uma quantia astronómica em apoio financeiro”, da ordem dos 100 milhões de dólares (cerca de 96 milhões de euros), para continuar a apoiar Taiwan. O governo chinês, por seu lado, considerou “natural a escolha”. Taiwan, ilha rebelde desde o fim da guerra civil chinesa, defende oficialmente a ideia de uma só China, mas o partido da presidente tem uma forte corrente independentista. Taipé fica assim reduzido a apenas 21 aliados diplomáticos: 12 na América Central e do Sul, seis na Oceânia, dois em África e na Europa apenas o Vaticano.

 

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