A programação nacional do centenário da poetisa foi apresentada hoje, no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, quando se celebram os 99 anos da autora de “Fada Oriana” e “Menina do Mar”.

As iniciativas têm início a 12 de janeiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com o projeto de dança “O Cavaleiro da Dinamarca”, pela Escola de Dança do Conservatório Nacional.

O colóquio internacional sobre a obra de Sophia acontece no dia 16 maio, na Fundação Gulbenkian, estando previsto outros colóquios sobre a autora, no Porto e em Lagos, no Algarve, mas também fora do país, nomeadamente no Rio de Janeiro, no Brasil, e em Roma.

O concerto no São Carlos realiza-se precisamente no dia de aniversário de Sophia, que nasceu no Porto, em 06 de novembro de 1919.

A programação está disponível em www.centenariodesophia.com.

A programação inclui um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, com filmes dos quais a escritora gostava, disse hoje à Lusa a sua filha Maria Andresen de Sousa Tavares, também poeta.

Na área do cinema está previsto um filme de Margarida Gil, baseado num conto da escritora, enquanto o realizador Manuel Mozos irá dirigir um documentário sobre a autor de “O Nome das Coisas” e “Navegações”.

A programação inclui uma exposição itinerante sobre Sophia.

Entre as iniciativas anunciadas, em Lisboa, conta-se igualmente, na travessa das Mónicas, ao bairro da Graça, na casa onde a escritora viveu mais de 60 anos, a colocação de uma lápide evocativa.

A poesia de Sophia continua a ser descoberta. Em setembro, foi publicado o poema “Príncipe Estranho”, que se encontrava inédito e foi publicado no âmbito da coleção de CD “Dizem os poetas…”, que incluiu poemas ditos pela autora e por “dizedores” como Rui Portulez, Carla Bolito e Isabel Abreu.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), natural do Porto, foi condecorada três vezes pela República Portuguesa e distinguida com 13 prémios literários, entre outros galardões.

A poetisa morreu dez dias antes de receber a Medalha de Honra do Presidente do Chile, por ocasião do centenário do nascimento de Pablo Neruda.

O Prémio Rainha Sofia de Espanha, em 2003, foi o último galardão que recebeu em vida, de uma lista iniciada em 1964, quando recebeu o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, pelo livro “Canto Sexto”.

Em 1977, “O Nome das Coisas” vale-lhe o Prémio Teixeira de Pascoaes e, em 1984, a Associação Internacional de Críticos Literários entregou-lhe o Prémio da Crítica pela totalidade da obra.

Em 1989, foi distinguida com o Prémio D. Dinis pelo livro de poesia “Ilhas”, Grande Prémio de Poesia Inasset/Inapa, no ano seguinte. Em 1992, voltou a ser premiada pela totalidade da obra, desta feita, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian para Crianças.

A autora escreveu várias obras dedicadas ao público infantojuvenil, nomeadamente, “A menina do mar” (1958), “A Fada Oriana” (1958), “A noite de Natal” (1959), “O Cavaleiro da Dinamarca” (1964), “O Tesouro” (1970), “A Árvore” (1985).

Em 1994, a Associação Portuguesa de Escritores outorgou-lhe o Prémio 50 anos de Vida Literária e, em 1996, foi homenageada no Carrefour des Litératures (França), um ano depois de ter sido distinguida com o Prémio Petrarca pela Associação de Editores Italianos.

A autora escreveu ainda teatro, designadamente “Não chores minha Querida” (1993) e “O Colar (2001), ensaios, entre els, “A poesia de Cecíla Meyrelles” (1956) e “Luiz de Camões. Ensombramentos e Descobrimentos” (1986), e traduziu autores como Dante Alighieri, William Shakespeare, Paul Claudel e Eurípedes.

Em 1998, o seu livro “O búzio de cós” valeu-lhe o Prémio Luís Miguel Nava.

Em 1999, foi distinguida com o Prémio Camões.

Sophia de Mello Breyner foi condecorada em 1981 com o grau de Grã Oficial da Ordem de Sant’Iago e Espada, em 1987, com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, no ano seguinte, com a Grã Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada.

Na cerimónia de entrega, o Presidente da República Jorge Sampaio salientou a “beleza tão alta e exata” que fez da sua obra “uma das criações em que nos revemos e de que nos orgulhamos”.

Nessa ocasião, em declarações à agência Lusa, a poetisa afirmou que foi numa viagem de autocarro que intuiu a natureza do mistério da poesia, ao reparar que a janela através da qual olhava coincidia por vezes com as janelas das casas.

“Pensei que talvez fosse isso: as palavras às vezes coincidiam com os seus significados, e depois deixam de coincidir, e voltam a coincidir outra vez”, disse.

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