Aeroporto Internacional de Nacala

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A cidade de Nacala, localizada em importante rota aérea internacional, em Moçambique, tem o projeto de seu aeroporto assinado pela Fernandes Arquitetos Associados.  O terminal de passageiros do aeroporto foi concebida para ser o segundo maior do país, com quase 27 mil m².

Além de atender a demanda aérea do continente africano, a construção do Aeroporto Internacional de Nacala, situada na Província de Nampula, tem em vista fazer uso da privilegiada localização geográfica da cidade (maior proximidade aos mercados asiáticos, do Oriente Médio e da Europa), para fortalecer seu desempenho como importante centro logístico global envolvendo não só o transporte aéreo, mas também o marítimo, o rodoviário e o ferroviário.

O desafio

O principal desafio e condição essencial desse projeto foi idealizar uma estrutura “enxuta”, porém que fosse capaz de atender ao mesmo tempo todas as demandas de um aeroporto internacional. A ideia foi analisar e estudar a ampliação futura de áreas chave como embarque e desembarque, além da possibilidade da construção de um conector e pontes de embarque, sem a descaracterização do projeto original e com o menor impacto possível nas operações de passageiros.

Para o arquiteto do projeto e fundador do escritório responsável, Daniel Hopf Fernandes, outro detalhe foi a preocupação com o design unido à funcionalidade. “É um projeto com visão universal que irá atrair pessoas ao redor do mundo. Podemos dizer que é uma mistura da cultura portuguesa e da cultura africana, apesar de ser difícil encontrar somente algo único que simbolize isso”, comenta Fernandes.

De acordo com o arquiteto, um dos aspectos-chave do projeto do terminal foi certificar-se de que o fluxo de passageiros fosse realizado com rapidez e eficiência por meio do complexo estruturado em um único andar.

A proposta

A edificação proposta pelo escritório de arquitetura para o Aeroporto Internacional de Nacala foi basicamente térrea e abrange as instalações operacionais do aeroporto e aquelas direcionadas ao atendimento dos passageiros.

A divisão espacial geral do Aeroporto de Nacala é distribuída em 4 grandes áreas: o Check-in (saguão), a Área de Embarque, a Área de Desembarque e o Mezanino. Estes espaços abrangem, além das áreas principais, salas menores de apoio e uso conforme a necessidade específica de cada setor como: controle de passaportes, alfândega, apoio às companhias aéreas, etc.

Todo o fluxo de transeuntes acontecerá do centro para as pontas (as ‘asas’), tanto na entrada como na saída e a conexão entre as duas asas será feita pelo saguão central, composto pelo mezanino que abrigará as áreas comerciais e os serviços de alimentação, administração e operação, além da principal área de espera e convívio do aeroporto. Com vista tanto para o lado “Ar” quanto para o lado “Terra”, será possível ter uma visão total das áreas internas e externas do aeroporto, dando origem a esse espaço como um belo mirante.

Ambas as ‘asas’ serão abrigadas por uma grande cobertura, que fará a conexão de diferentes volumes. A cobertura talvez seja o principal elemento responsável pela identidade do projeto por ser basicamente uma edificação térrea, de baixo gabarito. As soluções de cobertura e sua volumetria darão o “corpo” necessário à edificação, em especial na criação de áreas internas com ambientes amplos que resultam na exploração da iluminação e ventilação naturais.

Essa utilização dos recursos naturais proposta pela Fernandes Arquitetos consistirá em diminuir o consumo de energia associada ao uso de iluminação artificial e pelos sistemas de ventilação mecânica. Além disso, o projeto terá captações de águas e tratamento dos efluentes para a irrigação das áreas verdes, como um dos principais objetivos sustentáveis. Ao todo, a área do Terminal de Passageiros será de aproximadamente 15.200 m².

O complexo aeroportuário também será composto por um Terminal de Carga, a Torre de Controle, os edifícios de Manutenção e Equipamentos de Pista e o Edifício do Corpo de Bombeiros.

A pista de pousos e decolagens será totalmente ampliada para poder operar com os aviões do tipo Boeing 747. Com capacidade para receber até um milhão de passageiros por ano após a finalização das obras, o complexo aeroportuário promete se tornar um dos principais terminais para conexão de passageiros e carga no continente africano, dividindo em importância apenas com o Aeroporto de Joanesburgo, na África do Sul.

A obra será um marco para a cidade e para o país, não só pelo valor estratégico, mas também pelo seu papel transformador e renovador, num país em desenvolvimento, no qual praticamente não há edificações desse porte. É o segundo maior Aeroporto de Moçambique, ficando somente atrás do Aeroporto de Maputo, situado na capital, e será um grande gerador econômico para a região onde está, juntamente com o Porto, principal atividade econômica atual.

O desenvolvimento do aeroporto está sendo financiado por um empréstimo de 80 milhões dólares do Banco de Desenvolvimento Brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), que também está subscrevendo uma série de outros projetos de construção em Moçambique.

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