O Edifício Sapiens (Instituto Politécnico de Ciências e Tecnologia) localiza-se em área ainda semi-industrial, numa plataforma topográfica intermédia entre o limite norte da baixa da cidade, não longe do Porto de Luanda e da Estação Central ferroviária, e o arranque do alcantilado que remata no bairro residencial de Miramar.

A situação era muito desafiante, mais ainda quando considerada a implantação num lote em cunha, junto à Rua dos Municípios Portugueses, já muito compactado por duas torres, uma de escritórios com 14 pisos e a outra de habitação com 20 pisos.

Daqui decorre o volume poliédrico que ocupa todo a implantação disponível. Por um lado, a sua abstração ajusta-se melhor à estreita proximidade das torres e, apesar dos seus 6 pisos, garante-lhe firmeza formal. Por outro, potenciando a estrutura de betão-armado, as galerias em rasgamento parietal contínuo e cirúrgico dramatizam o todo poliédrico, são mediadoras tropicalizadas de luz e sombra, permitem as vistas sobre a cidade e entregam-lhe elegante vibração urbana.

Por último,estes mesmos rasgamentos denunciam a firme racionalização e fluidez pública do programa educativo, unido entre as galerias periféricas e o coração de circulações do edifício, e entre a cafetaria na cobertura em terraço e o térreo permeável ao exterior, cuja vocação pública celebra-se no grande auditório.

O Edifício Sapiens transforma as contingências em proveito próprio, vigoroso em presença urbana e generoso em ética pública.

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