A posição foi transmitida pelo economista brasileiro Ricardo Velloso, hoje, em Luanda, na conclusão de duas semanas de reuniões dos especialistas do FMI com o Governo e instituições angolanas, no âmbito das consultas regulares ao abrigo do Artigo IV.

“Nós não recebemos qualquer pedido de apoio financeiro das autoridades. Eu acho que, dada a conjuntura internacional, de preços mais elevados do petróleo (…) não há necessidade de financiamento do FMI para Angola. Obviamente que, se recebermos o pedido, vamos analisá-lo com todo o cuidado, como fazemos com qualquer país membro do FMI”, explicou Ricardo Velloso.

Angola vive uma profunda crise financeira, económica e cambial desde finais de 2014, devido à quebra na cotação do barril do petróleo no mercado internacional.

Estas consultas, em Angola, decorreram entre 01 e 15 de março, tendo o FMI concluído que a economia angolana “está a observar uma ligeira recuperação económica”, estimando um crescimento da economia, este ano, de 2,2% do Produto Interno Bruto, comparativamente com 1% registado em 2017, “em resultado de um sistema mais eficiente de afetação de divisas e da maior disponibilidade de divisas devido ao preço mais elevado do petróleo”.

“O novo executivo está, corretamente, a concertar-se na restauração da estabilidade macroeconómica e na melhoria da governação. Além disso, as perspetivas mais favoráveis relativamente ao preço do petróleo oferecem uma oportunidade para reforçar as políticas macroeconómicas e dar um ímpeto renovado às reformas estruturais, permitindo a Angola realizar o seu pleno potencial”, enfatizou Ricardo Velloso.

De acordo com a previsão do FMI, a inflação anual deverá permanecer elevada, projetando-se que atinja 24,7% no final deste ano, “refletindo, entre outros fatores, o efeito da depreciação do kwanza”.

“A médio prazo, as perspetivas são de uma recuperação gradual da atividade económica, mas existem riscos, como o declínio dos preços do petróleo e derrapagens na implementação das reformas estruturais necessárias para promover a diversificação económica”, alertou Ricardo Veloso.

Angola é atualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, com um volume diário superior a 1,6 milhões de barris de crude.

O Governo angolano estimou, no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018, um valor médio de 50 dólares por cada barril de petróleo exportado.

Contudo, desde o início do ano que a cotação internacional está acima dos 60 dólares, criando um excedente nas receitas fiscais angolanas.

“Um preço do petróleo mais elevado que o previsto no orçamento pode resultar em receitas extraordinárias que devem ser usadas na regularização mais rápida dos [pagamentos] atrasados internos e/ou na diminuição da dívida”, aponta o FMI.

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