“Angola só tinha duas opções: ou pedia ao FMI, ou pedia a terceiros (… ) e qual era o único terceiro que podia haver? A China”, disse Eugénio Costa Almeida.

Segundo o investigador do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a lógica seguida pelo executivo angolano baseava-se na ideia do não questionamento mútuo: “Eu não pergunto o que tu fazes, eu não pergunto as tuas políticas, porque tu não vais perguntar as minhas políticas”.

Para Eugénio Costa Almeida, a atitude levou a que Angola tenha começado “a enterrar a cabeça” em empréstimos da China envoltos em secretismo.

“Não sabemos quanto, os prazos ou que taxas. O que sabemos é que os empréstimos foram garantidos com petróleo”, constatou o investigador angolano do ISCTE.

Apesar de os fundos terem permitido a construção de infraestruturas em Angola, o investigador lamentou que estas empreitadas tenham ficado, na maioria das vezes, à responsabilidade de empresas chinesas.

“Recebemos empréstimos para fazer obras de grandes infraestruturas e outras, mas que predominantemente tinham de ser [conduzidas por] empresas chinesas, ou seja, o dinheiro voltava eventualmente para a China”, criticou.

Eugénio Costa Almeida acredita que o último empréstimo feito por Angola junto do FMI visa pagar as dívidas contraídas com os empréstimos da China.

“Este último empréstimo foi feito para pagar a dívida que nós temos com os chineses”, condenou o investigador, que vaticina um novo empréstimo.

“Provavelmente, quando forem as autárquicas, o Governo de Angola terá de fazer novos empréstimos”, alertou.

Em agosto deste ano, Angola pediu apoio financeiro ao FMI, ao abrigo de um Programa de Financiamento Ampliado (EFF na sigla em inglês), o que vai permitir a Luanda aceder a cerca de 1.500 milhões de dólares (perto de 1.293 milhões de euros) por ano durante três anos.

A Lusa noticiou em maio último que a dívida externa acumulada de Angola à China, bilateral e comercial (através dos bancos), ascendia em 2017 a 21.500 milhões de dólares (18.600 milhões de euros), de acordo com dados oficiais do Governo angolano.

A China é o maior financiador de Angola e, só em 2015, atribuiu uma nova linha de financiamento para obras públicas no país africano, superior a 4.000 mil milhões de euros.

No entanto, este tipo de financiamento é amortizado por Angola com a entrega de petróleo bruto, sendo a China o principal cliente do crude angolano.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here