O quadro da saúde mental em Angola foi apresentado hoje pela coordenadora nacional do Programa de Saúde Mental e Abusos de Substancias de Angola, Massoxi Vigário, afirmando que o abuso de drogas, do álcool e perturbações mentais são as principais causas.

Em declarações aos jornalistas a margem da 5.ª Conferência Nacional sobre Saúde Mental em Angola, realizada em Luanda, em alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental, que hoje se assinala, a responsável disse estar preocupada com a situação que afeta maioritariamente jovens.

“Este ano, a preocupação é mais ainda, porque traz-nos em alerta esta questão da mudança global que está intrinsecamente ligada ao uso das tecnologias, as redes socais, hoje considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um vício digital”, disse.

De acordo com Massoxi Vigário, as estatísticas dos últimos quatro anos, “cerca de 60.000 casos em acompanhamento nos serviços de Saúde Mental”, são os dados registados pela Rede Integrada de Serviços de Saúde Mental.

Apenas seis das dezoito províncias angolanas, nomeadamente Luanda, Cabinda, Benguela, Huíla, Malanje e Huambo compõem a Rede Integrada de Serviços de Saúde Mental.

Para a coordenadora nacional do Programa de Saúde Mental e Abusos de Substancias de Angola, perante a inexistência desses serviços em todo o país decorrem ações graduais para sua extensão, sobretudo nas unidades hospitalares do nível primário.

“Não temos serviços disponíveis em toda a extensão de unidades hospitalares, mas, pelo menos, estamos numa fase boa, sobretudo, nos últimos cinco anos, que é a abertura de serviços para outras unidades sanitárias do país”, afirmou.

Mas “é importante termos serviços disponíveis na rede primária que são os cuidados primários de saúde”, observou.

“Saúde Mental dos Jovens num Mundo em Mudanças” é o lema das celebrações do Dia Mundial da Saúde Mental que norteou também esta conferência nacional que decorreu, nas instalações da Mediateca de Luanda.

A também médica e psicóloga clínica adiantou igualmente que pelo país já se registam casos associados aos transtornos de uso abusivo da internet ou vícios as redes sociais, na sua maioria envolvendo jovens e adolescentes.

“Já assistimos no país, a nível dos serviços, casos não com uma proporção alargada porque também se calhar faltou-nos essa atenção para esta questão de que o uso das redes sociais também constitui uma preocupação de saúde”, explicou.

Segundo a especialista, do mesmo jeito que se avaliam as dependências, existem efeitos que são as consequências negativas, pelo uso abusivo da internet, que veem associadas a “ansiedade, a depressão, a baixa autoestima, o isolamento”.

“E pelo desenvolvimento de sinais e sintomas as pessoas são tratadas mas muitas vezes por detrás estão dessas dependências”, salientou.

Na ocasião, o representante da OMS em Angola, Hernando Agudello, exortou o Governo angolano a “desenvolver e reforçar” programas de promoção da saúde mental no país, que no seu entender passa também pelo “aumento de profissionais do setor”.

“Ainda faltam muitos profissionais para o efeito, mas está a desenvolver pouco a pouco, porque a saúde também é a componente mental em busca de uma saúde satisfatória para o ser humano”, apontou.

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