Viriato da Cruz é o vencedor, a título póstumo, do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2018, na disciplina de Literatura, anunciou ontem, em Luanda, o presidente do Júri. Vatomene Kukanda descreveu o poeta como um digno representante da cultura nacional.

O júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição de 2018, atribuiu este ano, o galardão da disciplina de Literatura, a título póstumo, ao poeta Viriato Francisco Clemente da Cruz, por ser “digno representante da cultura nacional que exalta, com profundidade, a identidade e os valores da angolanidade” e manifesta a esperança de se reviverem os costumes locais “num processo apaixonado para a valorização cultural da nação angolana.”

O anúncio foi feito ontem, na sala de reuniões do Ministério da Cultura, em Talatona, pelo presidente do júri, Vatomene Kukanda, que realçou que o prémio, nas variadas modalidades artísticas, foi atribuído, tendo em conta a reconciliação nacional, a inclusão social, a unidade nacional, a representatividade de várias regiões e sensibilidades políticas.

O júri do prémio decidiu atribuir este ano, pela primeira vez na história do concurso, uma Menção Honrosa, também a título póstumo, ao professor Almerindo Jaka Jamba, pelos “feitos a nível da formação do novo cidadão angolano, agregando ao conhecimento o sentido de alteridade, o respeito e a valorização dos angolanos e angolanas, enquanto base do desenvolvimento humano e sustentável.”

O prémio na categoria de Música foi atribuído ao músico e compositor Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, cujo nome e obras individuais e colectivas diversificadas editadas têm vindo a destacar-se no país e na diáspora, tendo as suas composições e interpretações incidido sobre a música revolucionária, popular urbana e clássica de dimensão nacional e internacional, tendo-lhe sido outorgado um prémio internacional em segundo lugar no International Song Writing Competition.

Ao gravurista António Feliciano Dias dos Santos “Kidá”, foi-lhe atribuído o prémio na categoria de Artes Visuais e Plásticas. Mentor e mestre do grande movimento da classe dos gravuristas, técnica de gravar sobre um suporte, desde os anos 70, Kidá foi o pilar da grande exposição colectiva no Fenacult’2014, tendo realizado um grande encontro sobre o movimento de gravura angolana, o que tem vindo a inspirar a criatividade da juventude angolana nas artes de gravar e imprimir.

Pela qualidade técnica, artística e a reflexão apresentada na obra “Cassinda Não Volta Atrás”, que desde a sua estreia é muito ovacionada, o prémio na disciplina de Teatro foi atribuído ao grupo Ngwizane Tuxikane. A peça de teatro retrata, de forma original, os valores culturais e morais da vida social do município do Bailundo “Mbalundu”, tornando-a num clássico do teatro angolano.

O coreógrafo Sakaneno João de Deus é o vencedor na categoria de Dança, pela sua trajectória, levada com alma, dedicação, humildade, sacrifício e competência, no processo da profissionalização da arte da dança angolana. É membro efectivo do Conselho Internacional de Dança da Unesco.

O prémio de Cinema e Audiovisuais foi atribuído, a título póstumo, ao realizador Misael Filipe de Almeida, um profissional que se destacou no género documentário pelo conjunto da obra, com relevância para, gravuras e pinturas de Tcitundo-Hulo, Efico – Ritual da Puberdade da Mulher Mumuíla, Moluscos do Mussulo, – Biologia do Mexilhão Perna – Perna e Oceanografia Angolana.

O júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2018 atribuiu, igualmente, os troféus na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, ao historiador Fidel Raul Carmo Reis, pela obra intitulada “Era Uma Vez… O Campo Político Angolano (1950-1965)” que se contextualiza a nível regional e internacional; Jornalismo Cultural ao programa televisivo “Tudo e Mais” por ser um programa que, ao longo dos dez anos de transmissão, insere e destaca importantes elementos tradicionais e contemporâneos da cultura huilana e Festividades Culturais Populares aos Bakama, por se tratar de uma instituição secular, apontada como um dos grandes baluartes da defesa e preservação da afrocacia e angolanidade do povo de Cabinda.

O Prémio Nacional de Cultura e Artes é a mais importante distinção do Estado angolano neste sector, tendo como principal objectivo incentivar a criação artística e cultural, bem como a investigação científica no domínio das ciências humanas e sociais.

O prémio constitui uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos, de modo a perpetuar entre os cidadãos ideias tendentes à compreensão das múltiplas formas da criação artística e diversidade das manifestações linguísticas e culturais do povo e da nação.

O Prémio Nacional de Cultura e Artes é a mais importante distinção do Estado angolano neste sector, tendo como principal objectivo incentivar a criação artística e cultural, bem como a investigação científica no domínio das ciências humanas e sociais.

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