Manuela Maria Teresa
Manuela Maria Teresa. a nova comissária da União Africana para os Direitos Humanos e dos Povos

A angolana Manuela Maria Teresa é a nova comissária da União Africana para os Direitos Humanos e dos Povos, depois de bater na corrida os candidatos da Tunísia, da Argélia, da República do Congo e dois da República Democrático do Congo.

Magistrada do ministério público, Manuela Maria Teresa tem 49 anos e ganhou à primeira volta com 49 votos. Com a sua eleição, Angola, o quinto maior contribuinte da União Africana, passa agora a ter dois comissários na comissão executiva da maior organização. Em Janeiro, durante a 28ª cimeira da União Africana, a engenheira Josefa Sacko foi eleita comissária para a agricultura e economia rural.

Manuela Maria Teresa vai agora deixar a Procuradoria-Geral da República e rumar para Banjul, Gâmbia, onde funciona o comissariado da União Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. “Angola é bastante respeitada na União Africana. Temos uma embaixada que trabalhou muito para esta campanha e acabamos de eleger mais uma cidadã angolana que agora vai para a Corte Africana dos Direitos Humanos. Acho que esta é uma vitoria do trabalho que temos levado a cabo durante estes dias”, disse o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti que ainda ontem teve um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Workeneh Gebeyehu.

Ministro da Defesa

O ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, participa segunda e terça-feira, em Addis Abeba, em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, na 29ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo. João Lourenço vai discursar no evento. O ministro das Relações Exteriores confirmou que João Lourenço vai deixar uma mensagem de paz, como condição para o desenvolvimento sustentável e harmonioso do continente.

O chefe da diplomacia angolana, que já se encontra na capital etíope há dois dias, lembrou que os Chefes de Estado e de Governo vão discutir outras questões, como o orçamento e a reforma da União Africana, cujos trabalhos estão a ser executados por uma equipa liderada pelo Presidente do Ruanda, Paul Kagame. Angola vai estar bem representada pelo ministro da Defesa que é também candidato do partido no poder às eleições gerais de 23 de Agosto.

A sua intervenção vai estar à altura daquilo que muitos querem ouvir de Angola”, referiu o ministro. Apesar do tema central da cimeira ser a juventude, George Chikoti adiantou que as intervenções de Angola, particularmente a que vai ser feita por João Lourenço, vai incidir sobre a importância da paz no continente como vector para o seu desenvolvimento. “É preocupação de Angola ver o continente em paz para que possa crescer e ter o tão desejado desenvolvimento”, sublinhou o ministro, que participa hoje na reunião do Conselho Executivo.

O chefe da diplomacia angolana acrescentou que a abordagem sobre a paz coincide com o tema a ser abordado no Conselho de Segurança.

Principais questões em debate na cimeira

Entre as principais questões a serem abordadas pelos Chefes de Estado e de Governo constam a integração regional, com realce para a Zona de Livre Comércio, a situação de paz e segurança no continente e a análise do orçamento, situação humanitária, bem como a aprovação do Orçamento da UA para 2018. Angola é o quinto maior contribuinte da organização depois da África do Sul, Nigéria, Egipto e Argélia. As questões da migração e a implementação da decisão de redução de 0,2% sobre as importações de produtos elegíveis para garantir um financiamento previsível, sustentável e equitativo da UA, são questões a serem discutidas pela organização.

As reformas estruturais da União Africana, cujo acompanhamento da implementação, de acordo com as decisões da reunião de Julho de 2016 e Janeiro de 2017, foi confiado em conjunto, aos Presidentes Paul Kagame, do Rwanda, Idriss Deby Itno, do Tchade e Alpha Conde, da Guiné Conakry, vão merecer a atenção dos líderes africanos.
O Presidente do Rwanda, Paul Kagame, apresenta o relatório sobre “questões estratégicas”, cujo mote é a componente da reforma da UA, enquanto o Presidente do Niger, Mahmadou Issoufou, fala sobre as medidas para a criação da Zona de Comércio Livre.

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