Atividade bancária em Cabo Verde cresceu 8,8% em 2016

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Banco de Cabo Verde
Banco de Cabo Verde

A atividade bancária cresceu 8,8 por cento em Cabo Verde no ano passado e a solvabilidade bancária melhorou, mas os testes de “stress” aos bancos revelam a persistência de riscos consideráveis para a estabilidade financeira.

Esta é uma das principais conclusões do relatório de Estabilidade Financeira 2016, publicação anual do Banco de Cabo Verde, hoje divulgada e que apresenta os principais resultados das análises ao sistema financeiro cabo-verdiano.

De acordo com o relatório, “a atividade bancária (…) evidenciou um crescimento de 8,8 por cento superior ao registado em 2015, sustentado “pelo aumento dos depósitos em 10,3 por cento”.

O crédito, por seu lado, registou um crescimento de 3,2 por cento, mantendo-se ao ritmo do ano anterior, o que, segundo o BCV, reafirma “a tendência de inversão ocorrida em 2014”.

O BCV assinala uma “redução ligeira” dos níveis de incumprimento dos créditos vencidos, apesar de ainda se manterem “em patamares elevados”, em média de 15,5 por cento.

“De realçar, contudo, que os bancos têm vindo a reforçar a cobertura das imparidades reconhecidas sobre o crédito com imparidade, tendo o rácio de cobertura fixado em 58,3 por cento, contra 54,4 por cento em 2015”, adianta o relatório.

De acordo com o relatório, “a maioria das instituições bancárias registou um aumento da solvência, com o fortalecimento da base de capital”, no entanto, “os resultados dos testes de “stress” permitiram a identificação de ameaças à solvabilidade das instituições”.

“A análise conjugada das condições de estabilidade financeira, aliada aos resultados dos testes de “stress”, permite identificar a manutenção do nível global de riscos em patamares ainda elevados, bem como reconhecer a persistência de consideráveis e potenciais fatores de risco à estabilidade financeira”, adianta.

O BCV assinala também que a “rentabilidade da maioria das instituições bancárias [?] cresceu ligeiramente”, com aumento dos resultados líquidos, contudo enfatiza que o “sistema bancário nacional tem apresentado níveis de rentabilidade muito baixos e custos de funcionamento historicamente elevados, acima de 60 por cento”.

O risco de liquidez de curto prazo e o estrutural mantiveram-se baixos, confirmando a tendência decrescente nos últimos cinco anos, segundo o relatório, num setor bancário “estruturalmente concentrado nos mercados de crédito e de poupança em duas instituições sistémicas relevantes”.

A atividade seguradora ficou marcada “pelo aumento da rentabilidade face ao ano anterior e pela manutenção dos níveis confortáveis de provisões técnicas e de margem de solvência”, enquanto o mercado de valores mobiliários registou um aumento de 9,2 por cento do valor global.

O sistema de pagamentos funcionou “de forma contínua e sem atrasos significativos”, tendo a disponibilidade de liquidez sido suficiente para satisfazer as necessidades da procura.

“Os ambientes macroeconómicos externo e interno relativamente favoráveis, a ligeira melhoria do desempenho do setor bancário e segurador e das condições financeiras de particulares e empresas, aliada ao reforço da segurança no sistemas de pagamentos atenuaram os riscos à estabilidade financeira”, adianta o relatório.

“Contudo, os riscos relacionados com a gestão das instituições e com a estrutura do setor bancário mantiveram-se elevados, pelo que exigem da supervisão uma contínua e rigorosa monitorização”, acrescenta.

O relatório adianta ainda que o Banco de Cabo Verde, enquanto supervisor e regulador, estabeleceu, durante o ano, um conjunto de estratégias, medidas e recomendações com vista “ao reforço da capacidade de resiliência do sistema financeiro”, onde se incluem a “avaliação dos modelos de imparidade dos quatro maiores bancos e a elevação do rácio mínimo de solvabilidade de 10 para 12 por cento.

O BCV adianta ainda que, em 2016, o enquadramento externo da economia “mostrou-se ligeiramente favorável, com sinais de alguma melhoria da atividade económica dos principais parceiros económicos do país”.

“A atividade económica (…) deu sinais de aceleração no ritmo de crescimento, tendo registado uma taxa de 3,9 por cento, valor próximo do observado em 2011 (4,0 por cento)”, adianta o BCV.

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