Banco de Portugal mais otimista. Economia vai crescer 2,5% em 2017

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Governador do Banco de Portugal
Governador do Banco de Portugal

economia portuguesa vai crescer 2,5% em 2017, segundo a nova previsão do Banco de Portugal, mais otimista do que o ritmo de 1,8% que era anteriormente projetado pelos técnicos da instituição. As projeções do banco central vão ao encontro daquelas que foram já antecipadas por outras entidades. Se o ano corrente vai correr melhor do que aquilo que se pensava há alguns meses, 2018 será um exercício de abrandamento.

Ainda assim, o produto interno bruto português crescerá 2% durante o próximo ano, número mais positivo em 0,3 pontos percentuais do que aquele que foi assumido pelo Banco de Portugal em março passado. Para 2019 é esperado novo arrefecimento, com o ritmo a fixar-se em 1,8%, mais o,2 dois pontos percentuais em comparação com as previsões anteriores.

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco de Portugal, atraves do Boletim Económico de junho de 2017, revelam que, a confirmarem-se as projeções, a economia portuguesa evoluirá durante os anos analisados a um ritmo superior àquele que se antecipa para o conjunto da zona euro. Se a marca de 2,5% se verificar em 2017, Portugal registará o desempenho mais positivo desde o início do milénio. A performance da economia será sustentada, sobretudo, pelo dinamismo das exportações: “antecipa-se uma forte aceleração das exportações de bens e serviços em 2017 e um crescimento robusto nos dois anos seguintes, com ganhos adicionais de quota de mercado”.

O Banco de Portugal destaca, também, os contributos da “melhoria do enquadramento internacional e da recuperação da procura interna, nomeadamente do investimento”, que deverá subir 8,8% em 2017 e acima de 5% nos dois anos seguintes. Sobre o consumo privado, as perspetivas são as de que o crescimento venha a ser “ligeiramente inferior” ao ritmo que se prevê para o conjunto da atividade, embora, em 2019, deva estar “acima do registado antes da crise financeira internacional”.

desempenho da economia portuguesa vai ter produzir impactos positivos no mercado de trabalho. “Depois de ter aumentado 1,6% em 2016, o emprego deverá crescer 2,4% em 2017 e 1,3% em 2018 e em 2019”, afirma o Banco de Portugal, enquanto a taxa de desemprego “também deverá cair ao longo do horizonte, atingindo 7%” no último dos anos analisados. A recuperação da produtividade será, porém, “muito modesta”. A inflação deverá fixar-se em “1,6% em 2017, 1,4% em 2018 e 1,5% em 2019”.

As expetativas são agora mais risonhas, o que não significa que o banco central não identifique constrangimentos “a um crescimento sustentável a longo prazo”. Incluem-se “o forte endividamento dos agentes económicos, o baixo nível de capital produtivo por trabalhador, a evolução demográfica desfavorável e o elevado nível de desemprego de longa duração“. Para combater estes obstáculos, o Banco de Portugal considera ser necessário “prosseguir a orientação de recursos para empresas mais expostas à concorrência internacional e mais produtivas, aumentando os incentivos à inovação, à mobilidade de fatores e ao investimento em capital físico e humano, num quadro institucional e fiscal previsível”.

Também é “importante”, prossegue o Banco de Portugal, “concretizar uma redução sustentada do endividamento público, o que requer a manutenção do esforço de consolidação orçamental“. Nesta frente, é recordado o quadro de atuação do Banco Central Europeu, que deverá abrandar progressivamente os estímulos adotados para ajudar à estabilização financeira da zona euro e à recuperação da economia: “todos estes progressos estruturais são ainda mais prementes em virtude da natureza temporária das medidas não convencionais de política monetária na área do euro e da persistência de riscos descendentes para a atividade económica no médio prazo”.

As previsões do Banco de Portugal estão em linha com a tendência das projeções realizadas por outras entidades, que reviram em alta o desempenho para 2017. O Barclays diz que a taxa de crescimento do PIB será 2,9% e a OCDE antecipa 2,1%. O ISEG diz que a economia vai progredir num intervalo situado entre 2,4% e 2,8%. Montepio e Unidade Técnica de Apoio Orçamental estimam que a taxa de crescimento será de 2,5%, à semelhança daquilo que defende agora o Banco de Portugal.

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