Brasil/Eleições: PM são-tomense diz que Bolsonaro afastará “ainda mais” país da CPLP

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“Uma das características dos regimes populistas é abandonar o multilateralismo. Não tenho dúvida de que o Brasil vai afastar-se ainda mais da CPLP”, considerou hoje, em entrevista à Lusa, o chefe do Governo em São Tomé e Príncipe e presidente da Ação Democrática Independente (ADI), que venceu as legislativas de domingo com maioria simples.

Trovoada disse ficar expectante para ver “qual é o tratamento que a CPLP dará ao Brasil versus Guiné Equatorial”.

A CPLP, sustentou, “se quer ser uma comunidade que ultrapasse só a questão da comunidade linguística, tem de evoluir”.

“Se somos uma comunidade de povos, deveremos ter a coragem, em função daquilo que pensamos ser a aspiração dos povos e dos valores que nós partilhamos, de alertarmos. Depois os próprios decidem. Se há essa comunhão, devemos sempre alertar”, comentou.

Questionado sobre se esses alertas não podem ser vistos como uma ingerência nos assuntos internos dos países – que a CPLP rejeita fazer, nos seus estatutos – Patrice Trovoada afirmou-se “a favor da ingerência” quando são atacados “determinados valores”, como os direitos humanos ou a defesa da democracia.

“Depois da ingerência, temos de ajudar e acompanhar esses regimes a evoluir”, referiu.

Sobre a Guiné Equatorial, o primeiro-ministro são-tomense defendeu que é preciso “fazer mais, no sentido de acompanhar e não somente criticar ou castigar”.

Para Trovoada, a Guiné Equatorial, que entrou para a CPLP em 2014, deveria poder organizar a próxima cimeira, em 2020. Esse tema chegou a ser falado “nos bastidores” da última reunião máxima da organização, em julho passado, em Cabo Verde, mas ficou então definido que seria Angola a acolher o próximo encontro.

“Agora vamos ver se pode organizar daqui a quatro anos. Não é só o facto de organizar. Mas até lá temos mais conquistas, acompanhar o país no sentido daquilo que pretendemos”, disse.

Instado a comentar se a Guiné Equatorial já deveria ter abolido definitivamente a pena de morte, como se comprometeu há quatro anos, o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe respondeu: “É uma questão de continuarmos a trabalhar e fazer entender que há determinadas leis, atitudes, posições que são contraproducentes”.

“Se queremos criar uma comunidade, é preciso envolvermo-nos todos e acompanharmos os membros e sermos um bocadinho pacientes e proativos”, disse.

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) irão defrontar-se na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras no dia 28 deste mês, após cada um ter obtido 46% e 29% dos votos, respetivamente.

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