Na abertura do Fórum, que reúne até sexta-feira cerca de 30 mil participantes, entre os quais o ministro do Ambiente de Portugal, João Matos Fernandes, o líder brasileiro referiu que existe “um consenso de que a vida na Terra estará ameaçada sempre que não se respeitem os limites da Natureza.

O planeta, observou, “é só um” e “as soluções devem ser conjuntas e articuladas” entre a comunidade internacional.

Temer citou dados das Nações Unidas segundo os quais dois mil milhões de pessoas não têm abastecimento seguro de água em casa e relacionou diretamente o acesso a este recurso e ao saneamento à própria vida.

O Fórum Mundial da Água, organizado pelo Conselho Mundial da Água, é realizado a cada três anos desde 1997 e é considerado o principal evento sobre recursos hídricos do mundo.

Nesta edição, em Brasília, estão representados governos, organizações e empresas de cerca de 150 países.

Além de Temer, na abertura estavam presentes outros chefes de Estado, incluindo o de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, da Guiana, David Granger, e da Hungria, János Áder, além dos primeiros-ministros de Marrocos, Saadedín Otmani, e Coreia do Sul, Lee Nak-yeon, do presidente da Assembleia-Geral da ONU, Miroslav Lajcak, e da diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

Portugal tem a maior presença de sempre neste 8.º Fórum Mundial da Água, o primeiro a ter lugar num país de língua portuguesa, que pretende abranger as componentes política, técnica, regional e jurídica.

Pelo pavilhão de Portugal vão passar políticos – o ministro do Ambiente, o secretário de Estado do Ambiente, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e deputados -, especialistas, empresários e representantes de entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), Águas de Portugal ou Associação Nacional de Municípios.

O pavilhão de Portugal também vai receber responsáveis dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, vai aproveitar o evento para se encontrar com a ministra espanhola com a tutela desta área para analisar assuntos comuns, como a Convenção de Albufeira (para gerir as bacias hidrográficas comuns), ou a mina de urânio de Retortillo que tem tido várias críticas dos ambientalistas e autarcas da região – portuguesa e espanhola.

Os grandes temas em análise no Fórum são nove – água e clima, água e saneamento, água e desenvolvimento, água e cidades, água e ecossistemas, água e financiamento, água e partilha, água e capacitação, e água e ‘governance’, divididos em 32 tópicos que serão debatidos em 140 sessões.

Na discussão de cada tema será abordada a situação em cada região do mundo.

Portugal ficou com a responsabilidade de conduzir todo o processo regional da Europa. Foram realizados encontros e inquéritos aos países europeus para elaborar um documento a definir as prioridades por áreas, que será apresentado durante o Fórum.

O Fórum integra ainda iniciativas dedicadas a grupos específicos, como os consumidores, os jovens ou as crianças, num esforço para a sensibilização para a importância da água.

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