Cabo Verde e Portugal encontram-se a trabalhar no desenvolvimento de uma cooperação técnico-militar, num plano trilateral, envolvendo o Grão Ducado do Luxemburgo, num “programa e objectivo novos” capazes de criar mecanismos de consolidação da cooperação para o futuro.

A ideia foi defendida na noite de quinta-feira, no Porto Grande do Mindelo, a bordo da fragata portuguesa Álvares Cabral, no final de uma reunião entre o ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, e o secretário de Estado da Defesa Nacional de Portugal, Marcos da Cunha Vasconcelos.

Os dois responsáveis abordaram, num encontro de pouco mais de uma hora, o estado actual da cooperação técnico-militar entre os dois países, e Luís Filipe Tavares, na ocasião, aos jornalistas, considerou haver “avanços em todos os projectos em curso”, designadamente no quadro do desenvolvimento de uma cooperação “em vias de estabelecer”, num plano trilateral, entre Portugal, Cabo Verde e o Luxemburgo.

O ministro informou que os directores nacionais da Defesa dos dois países efectuaram uma reunião no ano passado, na Cidade da Praia, sobre tal possibilidade, e que neste seu encontro com o secretário de Estado da Defesa Nacional de Portugal a matéria merece análise “a nível mais político”, garantindo que “há vontade dos três países”.

Luís Filipe Tavares referiu ainda que abordou com o responsável português a formação dos oficiais cabo-verdianos em Portugal e a segurança na sub-região africana, e ainda o facto de Cabo Verde acolher a zona G de cooperação entre os países do G7 mais os designados países amigos do Golfo da Guiné.

“É muito importante, estamos a receber este centro na Cidade da Praia, e Portugal é um parceiro fundamental no seu apetrechamento e também na formação dos oficiais e militares que vão nele trabalhar”, assegurou Luís Filipe Tavares

“Falamos de muita coisa e registamos que a cooperação entre Cabo Verde e Portugal em matéria de Defesa é muito boa e vamos continuar a trabalhar para reforçar esta ideia”, ajuntou.

Aliás, o ministro da Defesa referiu que as duas partes concluíram que Portugal e Cabo Verde são “produtores de segurança” nesta sub-região africana, o que é um “dado e valor muito importantes” do ponto de visita estratégico para o mundo.

“É com muito apreço que registo a excelência das relações entre Portugal e Cabo Verde no domínio da Defesa, pois existe confiança recíproca entre os dois países, de maneira que estamos muito felizes com esta cooperação”, concluiu Luís Filipe Tavares, realçando que há “todos os motivos” para as duas partes estarem “orgulhosas” com esta cooperação e, sobretudo, rematou, acreditar que se pode fazer “muito mais e melhor” para o seu reforço.

Da parte portuguesa, o secretário de Estado da Defesa, Marcos da Cunha Vasconcelos, declarou que Cabo Verde e Portugal têm “interesses estratégicos comuns” relativos em particular à segurança marítima nesta zona do globo, os quais estão por trás desta “cooperação crescente”, em particular no que respeita à capacitação da Guarda Costeira de Cabo Verde.

“A segurança e a defesa dos países hoje só podem ser asseguradas em cooperação com outros países e organizações internacionais, organizações militares e outros países com capacidade militar”, lançou a mesma fonte, para quem nem Portugal nem Cabo Verde sozinho conseguem assegurar devidamente a defesa e a segurança do Atlântico.

E é nesse sentido, garantiu o governante português, que as duas partes têm vindo a desenvolver o trabalho e, cada vez mais, procurar no seio das organizações internacionais a que pertencem assegurar uma presença naval ao longo do ano nas águas sob responsabilidade e jurisdição de Cabo Verde.

“Procuraremos também trabalhar na criação de mecanismos que nos permitam ter uma presença naval da Marinha Portuguesa com militares da Guarda Costeira cabo-verdiana embarcados para, durante períodos mais longos, assegurar a vigilância e a fiscalização destas águas”, lançou Marcos da Cunha Vasconcelos, designadamente, anotou, no quadro do desenvolvimento de uma cooperação que se está a procurar estabelecer num plano trilateral entre Portugal, Cabo Verde e o Luxemburgo.

À margem do encontro e no âmbito da iniciativa “Mar Aberto”, os dois governantes procederam ao encerramento do exercício militar envolvendo o navio Álvares Cabral e militares da Guarda Costeira cabo-verdiana.

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