A líder do PAICV (oposição), Janira Hopffer Almada, revelou hoje que o seu partido já entregou ao Parlamento uma proposta de lei sobre a paridade e igualdade do género, para garantir a igualdade nos órgãos de decisão no país.

“Fundamentalmente queremos garantir a paridade e igualdade nos órgãos de decisão, não só ao nível dos cargos políticos, como também ao nível dos cargos de chefias na Administração Pública”, precisou a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde que visitou hoje a Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV) à frente de uma delegação constituída apenas por mulheres deputadas e dirigentes do PAICV a diversos níveis.

Para a líder do maior partido da oposição, se o país continuar com este ritmo, “a nível do Parlamento, por exemplo, só daqui a 89 anos terá a paridade”.

“Cabo Verde tem mulheres com capacidade, competência e vontade de participar” advoga a líder da oposição, pelo que é defensora da existência de medidas “que acelerem essa oportunidade”.

Segundo Janira Hopffer Almada, a proposta do seu partido visa promover um “debate sadio e construtivo” no sentido de haver uma “decisão efectiva”, sem, contudo, que isto signifique “garantir a beneficiação em detrimento de homens”.

“A nossa perspectiva é garantir igualdade de oportunidades”, reiterou, acrescentando que é esta também a luta do seu partido que vai caminhar nesse sentido.

Instada se a nível do seu partido existe paridade do género, disse que ela foi eleita presidente e que a nível do secretariado geral há um “grande equilíbrio”, com três secretárias gerais adjuntas, além da Comissão Política regional do Sal ser presidida por uma mulher.

“Queremos ainda mais participação a qual pode ser estimulada pela via de medidas legais”, indicou Janira Hopffer Almada, que espera que a proposta de lei da sua bacada parlamentar sobre a paridade e igualdade do género seja adoptada por todas as forças políticas presentes na Assembleia Nacional.

Perguntada se mesmo sem a lei de paridade, o seu partido estaria disponível a garantir igualdade em termos do género na constituição das listas, afirmou que esta questão já consta dos estatutos do PAICV e lembrou que foi com seu partido a liderar o executivo que Cabo Verde conseguiu ser o “segundo Governo paritário do mundo”.

“Foi também no Governo do PAICV que foram conseguidas grandes conquistas a nível de igualdade e equidade do género”, enfatizou Janira Hopffer Almada, reconhecendo que não se trata de uma tarefa fácil e, por isso, além de “medidas legais”, deve-se trabalhar permanentemente na “promoção da mudança da mentalidade”.

Questionada sobre as razões que levaram o seu grupo parlamentar a pedir o agendamento para este mês de uma interpelação ao Governo de Ulisses Correia e Silva sobre a economia marítima, revelou que existe uma série de questões que carecem de explicação por parte do executivo.

“Esperamos que desta vez o Governo não se estribe apenas nos 15 anos de governação do PAICV para se desresponsabilizar do mandato que o povo lhe conferiu” frisou a líder da oposição, que quer “informações concretas” como estão os transportes marítimos, porque, segundo diz “cada dia há um anúncio e cada dia um desmentido”.

Segundo ela, não há “absolutamente nada de novo no sector das pescas e não se fala sobre que visão concreta tem o Governo sobre a economia marítima”.

“Passados dois anos do mandato nada se sente de forma efectiva e concreta em relação à economia marítima”, lamenta a presidente do PAICV.

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