A iniciativa, promovida pelo movimento “Manifestação Sal 1720”, pretendeu também homenagear um cidadão cabo-verdiano morto no domingo na sequência de um assalto.

O violinista Macolino Silva, 70 anos, uma das figuras emblemáticas da ilha, foi agredido com uma pedra na cabeça durante uma tentativa de assalto na zona de Ribeira Funda.

A vítima deu entrada no hospital por volta das 02:30 da madrugada de domingo com traumatismo craniano grave, acabando por morrer.

Os suspeitos são dois jovens, de 16 e 19 anos, entretanto detidos pela Polícia Judiciária “pela presumível coautoria de um crime de roubo, seguido de homicídio”.

A insegurança e os assaltos a turistas e residentes numa das principais ilhas turísticas de Cabo Verde está a preocupar a população que exige respostas das autoridades.

“Sentimos que falta um posicionamento de quem de direito a respeito da insegurança na ilha do Sal. Esta ação é principalmente um ato de homenagem, mas não esconde a tristeza e o nosso descontentamento perante o descaso dos órgãos do sistema de segurança e judicial”, disse o porta-voz do “Movimento Sal 1720”, Jassy Sousa, citado pela agência cabo-verdiana de notícias Inforpress.

Este é o segundo protesto realizado na ilha do Sal no espaço de três semanas.

A 27 de abril, o mesmo movimento promoveu uma manifestação que mobilizou centenas de pessoas contra a insegurança e a sucessão de assaltos que têm ocorrido na ilha.

O Governo cabo-verdiano assegura que esta a preparar um plano de segurança turística destinado especialmente às ilhas da Boavista e do Sal.

“Está em curso a elaboração de um plano de segurança turística, que não é apenas a segurança dos turistas, mas dos locais de atração turística frequentados por pessoas que vêm e vão com muita frequência e que têm impacto naqueles que lá residem”, disse Paulo Rocha.

Roubos à mão armada e agressões a turistas e assaltos a casas e hotéis nas ilhas mais turísticas do país – Sal e Boavista – têm marcado a atualidade cabo-verdiana, com a imprensa local a fazer eco das preocupações dos operadores de turismo perante o que consideram uma escalada da insegurança.

Um dos casos mais recentes ocorreu no início de abril quando um grupo de turistas checos foi assaltado à mão armada na ilha do Sal

A segurança turística foi um dos temas centrais da reunião do Conselho da República, realizada no início de abril, com este órgão de aconselhamento do Presidente da República a recomendar “atenção particular” à segurança ligada ao turismo, aos portos, aeroportos e outros “pontos sensíveis” do arquipélago.

No âmbito do debate sobre a insegurança na ilha do Sal, o comandante Regional da Polícia Nacional foi suspenso por ter criticado o sistema judicial e a legislação, sugerindo a liberalização do uso de armas pelos cidadãos para que possam defender-se.

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