Chamado “Sérgio Vieira de Mello: o legado de um herói brasileiro”, o projeto é centrado em três passagens marcantes, Timor-Leste, Camboja e Vietname, da carreira do diplomata, que trabalhou 34 anos na ONU e morreu num atentado contra o prédio da instituição em Bagdade, capital do Iraque, em 2003.

O diretor do filme, André Zavarize, contou à Lusa que o projeto nasceu há cinco anos quando a Agência ZAZ, que organiza projetos culturais no Brasil, decidiu realizar um livro em homenagem ao diplomata.

Sobre um dos pontos importantes do projeto, o papel de Sérgio Vieira de Mello na reorganização de Timor-Leste após a independência, em 1999, o diretor contou que o brasileiro é, até hoje, lembrado como um homem que transformou o país.

“Quando o Sérgio pisou em Timor-Leste, o lugar era uma terra arrasada. Havia apenas um gerador de energia em todo país e toda a infraestrutura havia sido destruída pelo exército da Indonésia. Depois de dois anos de trabalho, a ONU realizou, sob comando dele, o processo de fixar instituições como a Justiça, Poder Executivo, Poder Legislativo e as Tropas de Paz”, disse o diretor do filme, André Zavarize.

“Contamos um pouco deste trabalho. Entrevistámos o antigo primeiro-ministro de Timor-Leste Mari Alkatiri, tal como o reitor da Universidade Nacional Timor Lorosae, Francisco Miguel Martins. Conversámos com mais de 60 personalidades, incluindo dois vencedores timorenses do prémio Nobel, o ex-primeiro ministro José Ramos-Horta e o padre Ximenes Belo”, acrescentou.

No prefácio do livro, José Ramos-Horta referiu o pedido feito ao antigo secretário da ONU Kofi Annan para que nomeasse na liderança da ONU no país um homem que tivesse coração e falasse português.

“Falei ao Kofi Annan que o timorense é um povo traumatizado por conflitos, sofrimentos e violência. Nós precisávamos de um representante especial que não fosse um burocrata sem coração. Dito isto, Kofi Annan sabia quem tinha que escolher. Sérgio Vieira de Mello era quem preenchia o desenho humano que eu fiz da pessoa ideal para Timor-Leste”, escreveu.

O documentário e o livro abordam o trabalho que o diplomata brasileiro desenvolveu no Camboja, ao estabelecer pela ONU negociações de paz com o regime dos Khmer Vermelhos, enquanto no Vietname, Sérgio Vieira de Mello ajudou um milhão de refugiados em fuga de conflitos na região.

No projeto, a situação dos imigrantes venezuelanos, que estão a fugir da crise económica e social no país, para o Brasil desde 2017, ganhou um espaço especial no projeto.

Neste caso, porém, o trabalho de Sérgio Viera de Mello aparece como um exemplo de um homem que trabalhou em prol dos refugiados em todo o mundo.

O documentário e o livro “Sérgio Vieira de Mello: o legado de um herói brasileiro” também será exibido e lançado no próximo dia 16, no Rio de Janeiro.

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