A informação foi avançada à agência Lusa por João Branco, presidente da Associação Mindelact, indicando que um dos espetáculos que já estão lotados é da coreógrafa e bailarina Marlene Freitas, que abre o evento na sexta-feira, com “De Marfim e Carne – As Estátuas Também Sofrem”.

Marlene Freitas fará o mesmo espetáculo no segundo dia do Mindelact, naquela que serão as suas primeiras atuações no país, após em janeiro ter sido distinguida com o “Leão de Prata”, prémio de carreira da Bienal de Dança de Veneza, em Itália.

O Mindelact terá sete palcos, sendo que os dois pagos e que já estão praticamente esgotados estão no Centro Cultural do Mindelo e na Académia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), que são consideradas duas “casas” do festival.

Sobre o facto de a maior parte dos espetáculos já estarem esgotados a dois dias do início do festival, João Branco considerou que mostra a procura e a “paixão” que os são-vicentinos têm pelo teatro e pelas artes cénicas, mas também que a ilha já precisa de salas maiores.

“Já dissemos isso há muito tempo, as salas já são pequenas para a procura e para a demanda, não só em relação a este festival, mas às artes cénicas em geral”, disse o responsável associativo.

“Era importantíssimo que conseguíssemos no médio prazo uma aposta numa sala de espetáculos maior, mais bem equipada, sem desprimor do Auditório Luís Morais, no Centro Cultural do Mindelo, que recebe o palco 1, ou a ALAIM, que recebe o palco 2”, salientou.

Para João Branco, a procura pelos é resultado da “qualidade ímpar” da programação, que é também diversidade, fazendo que com que não haja dois espetáculos parecidos no programa.

Uma das presenças de destaque no Mindelact é da coreógrafa e bailarina luso cabo-verdiana Marlene Freitas, que é natural de São Vicente, lembrou João Branco, para quem é uma “suprema honra” receber “uma das melhores bailarinas” do mundo.

Também considerou que é uma “mensagem importante” para as famílias e para os jovens, considerando que precisam ser incentivamos e ver no exemplo da Marlene Freitas que a atividade artística também pode ser uma profissão.

O presidente da Associação Mindelact disse que o objetivo é “dar resposta às elevadas expectativas” da população em relação à programação, que considera ser de “alto nível” e que este ano terá uma “forte presença nacional”.

Se no ano passado foi considerado pela organização como o melhor Mindelact de sempre, João Branco disse que a meta deste ano é fazer melhor do que em 2017 e preparar a edição seguinte.

“Será uma edição que certamente será muito festiva, que é dos 25 anos e das bodas de prata, tanto assim é que chamamos esta edição de 25 menos 1 e não a edição 24”, mostrou.

A dois dias do arranque, João Branco garantiu à Lusa que a montagem dos espetáculos está a decorrer a um bom ritmo e praticamente todos os artistas já estão na cidade do Mindelo.

Durante 10 dias, o festival vai receber 60 espetáculos de 38 grupos, oriundos de 14 países diferentes, sendo de Cabo Verde, Portugal, Angola, Brasil, Alemanha, Argentina, Cuba, Espanha, EUA, França, Gana, Marrocos, República Chega e Uruguai.

Portugal estará ainda representado no festival pelo Teatro Extremo, que vai encenar o espetáculo “Einstein”, por Pedro Lamares, que apresentar “A poesia é uma arma carregada de futuro”, por Miguel Horta, com “CICE” e pela Teatro d’Imagem, com a peça “Armazenados”.

Outra presença em destaque no festival será a atriz brasileira Vera Holtz, muito conhecida pelos cabo-verdianos através das telenovelas, e que vai encenar o seu espetáculo “Sonhos para Vestir”.

Tal como acontece desde há dois anos, o Mindelact terá uma extensão à cidade da Praia, com cinco espetáculos, em que um deles vai ser do português Pedro Lamares.

Considerado com o maior evento de artes cénicas do país e da África Ocidental, o Mindelact tem como patrocinadores o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, a Câmara Municipal de S. Vicente, Cooperação Portuguesa e muitas empresas cabo-verdianas.

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