Quadro sénior de um banco comercial em Bissau e mestre em Economia, formado em Lisboa, Aliu Cassamá prevê “uma má campanha” de comercialização do caju, logo uma perda de receitas para o Estado guineense, como aconteceu em 2018, quando, disse, o país perdeu cerca de 21 milhões de euros.

Para o economista, a realização de eleições legislativas (marcadas para 10 de março de 2019) na altura do início da campanha de comercialização do caju e ainda a interferência no preço de referência do produto, por parte do Presidente guineense, José Mário Vaz, como fez no ano passado, poderão prejudicar o desempenho de toda economia, disse.

Aliu Cassamá antevê que José Mário Vaz “será tentado, mais uma vez” a fixar o preço de referência do caju junto ao produtor, tendo em conta as eleições presidenciais.

A conjugação dos dois fatores leva Cassamá a ver a economia guineense a retrair-se com uma perda, só no caju, na ordem de mais de 40 milhões de euros em 2019.

Uma outra dificuldade, segundo o economista, será a subida da inflação derivado do aumento da taxa do IGV (Imposto Geral sobre Vendas) aprovado recentemente pelo Parlamento, passando de 17% para 19% e ainda tendo em conta o aumento do salário mínimo nacional para cerca de 75 euros.

Sendo a Guiné-Bissau “um país iminente importador” de bens do consumo, Aliu Cassamá perspetiva um acréscimo no preço dos produtos e serviços, um endividamento das famílias e um acumular do crédito malparado na banca comercial, que segundo disse, já vai em cerca de 55 milhões de euros.

“Os bancos comerciais não conseguem resolver este problema por si só sem a intervenção do Estado”, observou o economista guineense, não vendo qualquer possibilidade de os bancos financiarem a economia.

Aliu Cassamá exorta poe isso para a necessidade de o Estado intervir “para evitar a insolvência dos bancos”.

A somar a tudo isso, o economista guineense alerta para o risco de o país estar a “caminhar perigosamente para um endividamento externo excessivo, deixando de lado a economia real”, notou.

Aliu Cassamá afirma ser urgente, já em 2019, o país fazer uma auditoria externa para apurar o nível da dívida externa e propor um reescalonamento, ao mesmo tempo apresentar uma nova política económica ao serviço das pessoas e não do Estado.

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