O ex-Presidente da África do Sul Jacob Zuma vai ser acusado de corrupção no caso de um contrato de armamento com industriais estrangeiros que remonta ao fim da década de 1990, anunciou hoje o ministério público sul-africano.

“Após analisar bem o assunto, há razoáveis perspetivas para pensar que as acusações judiciárias contra Zuma vão ser concluídas”, disse o procurador-geral Shaun Abrahams numa conferência de imprensa, salientando que o ex-Presidente da África do Sul será julgado por fraude e corrupção.

“Submeter o caso a julgamento é a forma mais apropriada de abordar as acusações”, acrescentou Abrahams, que indicou que a decisão já foi comunicada ao próprio Zuma.

Segundo Abrahams, são 16 as acusações contra Zuma, que já veio dizer estar a ser “vítima da má conduta” dos procuradores, que têm passado informações à imprensa, sobretudo o próprio Abrahams, que foi alvo de pedidos para se demitir por investigar o antigo Presidente sul-africano quando ainda estava em funções.

Zuma, 75 anos, resignou à Presidência sul-africana após uma decisão nesse sentido aprovada pelo Congresso Nacional Africano (ANC, de que também deixou de ser líder), tendo os dois lugares ficado nas mãos de Cyril Ramaphosa que, ao assumir funções, prometeu combater a corrupção e reconstruir a confiança dos eleitores no partido, cuja estatura moral atingiu o mais baixo ponto de sempre desde que chegou ao poder, em 1994.

Num caso separado ao de Zuma, as autoridades judiciais sul-africanas estão a investigar os negócios do grupo empresarial ligado à família Gupta, que, segundo a acusação, utilizou as ligações ao ex-Presidente para influenciar o executivo a entregar-lhe contratos milionários de obras públicas.

Por outro lado, foi criado um grupo judicial para averiguar várias alegações de corrupção ao mais alto nível do Governo da África do Sul durante a presidência de Zuma.

A Aliança Democrática (DA, o maior partido da oposição), que há anos que procurava levar Zuma a julgamento, acolheu com satisfação as acusações apresentadas hoje por Abrahams.

“Agora não pode haver mais nenhum adiamento para se começar o julgamento. As testemunhas estão prontas e as provas são fortes. Jacob Zuma deve ser imediatamente julgado”, afirmou Musi Maimame, líder da DA.

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