O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, evento que há mais tempo se dedica à produção audiovisual do país, divulgou hoje (8) os filmes selecionados para sua 51ª edição que acontece entre 14 e 23 de setembro na capital federal. Além disso, a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, criada em 2016 para homenagear os grandes nomes do cinema brasileiro, será concedida ao crítico e professor de cinema Ismail Xavier e ao arquivista Walter Mello, um dos idealizadores do Festival de Brasília.

Em dez dias de programação, serão exibidos mais de 120 títulos do cinema nacional entre mostras competitivas, paralelas e especiais. Para a disputa do Troféu Candango, foram inscritas 724 produções, das quais foram selecionados nove títulos de longa-metragem e 12 curtas-metragens. O longa-metragem escolhido pelo júri popular receberá o Prémio Petrobras de Cinema, que consiste em R$ 200  mil em contratos de distribuição.

Além do prémio, todos os filmes selecionados recebem cachês de seleção, distribuídos igualitariamente. Os longas-metragens selecionados recebem R$ 15 mil, cada; os longas-metragens participantes de sessões hours concours recebem R$ 10 mil; e os curtas-metragens recebem R$ 5 mil.

O secretário de Cultura do Distrito Federal considera que a seleção de filmes contempla a diversidade da produção audiovisual brasileira hoje. “Brasília vai ver filmes que dialogam com o momento brasileiro, com o momento mundial, com o momento de muitas pessoas, tem muitos filmes que dialogam com as pessoas, é uma produção riquíssima e reafirma essa qualidade do Festival de Brasília, que é olhar para atualidade e trazer isso refletido na tela”, afirma.

Perfil da seleção

A curadoria do festival priorizou filmes que lidam de alguma forma com questões políticas e sociais do Brasil e do mundo e que tem capacidade de gerar uma discussão que ultrapasse a sala de cinema.

“Filmes que, de uma maneira ou de outra, estão interessados em pensar o que é o cinema, como ele se incorpora às demandas da sociedade e de que maneira o cinema está vivo hoje. Isso está presente na produção brasileira desde sempre em algum grau, mas é a marca do Festival de Brasília”, afirma Eduardo Valente, diretor artístico do Festival.

Valente aponta que a curadoria do evento procurou destacar produções que discutem temas quentes da atualidade mas também temas da história brasileira – presentes em grande proporção entre os filmes inscritos – e destaca a presença na mostra competitiva de um filme cuja participação no festival ele atribui ao barateamento da produção digital.

Trata-se de Bloqueio, produção pernambucana de Quentin Delaroche e Victória Álvares que trata do movimento de caminhoneiros que aconteceu este ano e começou a ser filmado há pouco mais de quatro meses sem nenhum tipo de financiamento.

“Os diretores simplesmente decidiram que estava acontecendo um evento importante e foram até o local com câmeras próprias e conseguiram editar e finalizar para exibir em cinema em 4, 5 meses. Isso seria impensável há alguns anos. Esse filme é um exemplo, digamos, o ápice do que é essa urgência”, considera Valente.

Abertura

Em 2018, o longa-metragem responsável pela abertura do Festival é Domingo, ficção de Clara Linhart e Fellipe Barbosa (RJ). A trama ocorre no interior do Rio Grande do Sul, no dia 1º de janeiro de 2003, dia de posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Duas famílias do interior gaúcho se reúnem em uma mansão rural para um churrasco, enquanto seus filhos adolescentes, de hormônios à flor da pele, fazem daquela data um dia transformador. O filme fará sua estreia brasileira no Festival de Brasília logo depois da estreia mundial no Festival de Veneza, onde será exibido na mostra paralela Venice Days.

Antes da exibição do longa, a abertura reserva espaço para o curta-metragem Imaginário, de Cristiano Burlan (SP), filme que se alinha à vocação política do Festival de Brasília e, às vésperas de uma eleição majoritária, faz um apanhado de discursos marcantes sobre a vida política do país desde os anos 1940.

Já no encerramento, antes do anúncio dos premiados com o Troféu Candango, o documentário América Armada, de Alice Lanari e Pedro Asbeg (RJ) será apresentado. O longa traça um panorama sobre a realidade contemporânea do Brasil ante uma das principais questões da atualidade: a escalada da violência. Para tanto, o filme parte de alguns personagens marcantes para elucidar paralelos do Brasil com as realidades atuais da Colômbia e do México, investigando de que maneira a presença da cultura e do acesso às armas atinge e modifica a vida das suas populações.

 

Confira os filmes selecionados:

Longas documentário

Torre Das Donzelas, Susanna Lira (RJ),

Bixa Travesty, Claudia Priscilla e Kiko Goifman (SP);

Bloqueio, de Quentin Delaroche e Victória Álvares (PE);

 

Longas ficção

Ilha, Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA);

Los Silencios, Beatriz Seigner (SP/Colômbia/França);

Luna, Cris Azzi (MG);

“New Life S.A.”, André Carvalheira (DF)

A Sombra do Pai, Gabriela Amaral Almeida (SP);

Temporada, André Novais Oliveira (MG).

 

Curtas documentário

Liberdade, Pedro Nishi e Vinicius Silva (SP);

Sempre Verei Cores no seu Cinza, Anabela Roque (RJ)

Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados, de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito (PE)

 

Curtas ficção

Aulas que matei, Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia (DF);

Boca de Loba,  Bárbara Cabeça (CE);

BR3,  Bruno Ribeiro (RJ);

Eu, Minha Mãe e Wallace,  Irmãos Carvalho (RJ);

Kairo,  Fabio Rodrigo (SP);

Mesmo com Tanta Agonia,  Alice Andrade Drummond (SP);

Plano Controle,  Juliana Antunes (MG);

Reforma, de Fábio Leal (PE).

 

Curta animação

Guaxuma,  Nara Normande (PE)

Publicidade