Em breve poderá deixar de ser possível enviar um e-mail do aplicativo de correio da Google – o Gmail – para clientes que não tenham uma conta na mesma aplicação. É que o gigante da web anunciou esta semana que vai trazer a tecnologia AMP (Accelerated Mobile Pages), projetado para aliviar a carga de conteúdo em dispositivos móveis, para os e-mails. Adivinham-se incompatibilidades com outras aplicações de correio.

Um artigo, publicado esta quarta-feira no El Mundo, refere que, apesar de parecer algo positivo (vamos poder realizar mais ações dentro do email sem sair da aplicação), este poderá ser um “presente envenenado”.

Atualmente, as mensagens de e-mail estão cheias de conteúdos que nos obrigam a abandonar o aplicativo de correio e a abrir o navegador da web, para confirmar a nossa presença num evento, marcar um hotel ou fazer uma reserva num restaurante, por exemplo. E nos próximos meses isso deixará de ser necessário: é uma forma da Google controlar melhor aquilo que fazemos, perceber os nossos interesses e direcionar publicidade.

A ideia já está a ser testada por algumas empresas nas suas plataformas, como o Booking ou o Pinterest.

A decisão da Google de trazer a AMP para o Gmail deve-se a uma lógica de mercado. Hoje em dia a empresa perde o rasto do utilizador assim que este sai do e-mail. Com o AMP, toda a atividade fica registada.

Desde o seu início que o Gmail sempre teve partes incompatíveis com outros aplicativos de correio, mas esta é a primeira vez que a incompatibilidade se deve não a formas de classificar as mensagens mas sim a interesses económicos.

O Gmail tem uma enorme quota de mercado, com mais de 1.000 milhões de utilizadores ativos em todo o mundo, e o seu peso é tão significativo quanto a quantidade de serviços que dependem de uma confirmação na conta de e-mail para reenvio de senhas, por exemplo. Uma mudança na forma como o Gmail funciona pode, na verdade, desestabilizar toda a infraestrutura de e-mail mundial.

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