A petição, defendida por mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, foi avançada pela organização da sociedade civil Avaaz e assinada pelos presidentes do Botsuana (Ian Khama), Uganda (Yoweri Museveni) e Gabão (Ali Bongo Ondimba), pelo governo do Quénia e pela Coligação do Elefante Africano, que inclui representantes dos restantes 28 países.

A aprovação da petição coincide com a celebração de uma cimeira no Botsuana, o país com maior população de elefantes em África, sobre o comércio de marfim

“As autoridades europeias disseram-nos que não podiam proibir o marfim porque não havia um número suficiente de líderes africanos a defender a medida”, explicou o diretor de campanhas de sensibilização da Avaaz, Bert Waner.

“Agora vamos ver. Já temos a assinatura dos países que acolhem a maior população de elefantes [em África]. Agora vamos ver se há mais desculpas. A verdade é que não há. O resto do mundo está a dar atenção e a apoiar as campanhas contra o comércio de marfim”, acrescentou.

A UE tem vigentes várias normas sobre o comércio de marfim que limitam a compra e venda de peças adquiridas antes de 1990, ano em que a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Armazenadas (CITES) concedeu o maior grau de proteção aos elefantes africanos.

Em 2017, Bruxelas proibiu a exportação de marfim em bruto para os países da UE, excetuando peças destinadas à investigação ou à educação.

No entanto, a Ayaaz contestou o facto de a União Europeia ser o maior exportador legal de marfim, liderando um mercado “crescente” — em 2014 e 2015, segundo dados da organização protetora das espécies ameaçadas, a UE exportou 1.258 presas de marfim.

Por essa razão, a Ayaaz pediu ao comissário europeu para o Meio Ambiente, Karmenu Vella, e aos líderes dos governos dos “28” que proíbam o comércio intracomunitário de marfim e as exportações de todo o tipo de presas e que apoiem um veto mundial a essa prática.

A 31 de dezembro último, entrou em vigor na China a proibição total do comércio de marfim, o que pressupõe o encerramento definitivo daquele que sempre foi o maior mercado mundial de presas.

Segundo dados da Ayaaz, entre 2007 e 2014, a caça furtiva acabou com quase um terço dos elefantes da savana africana.

Os grupos defensores dos animais estimam que os caçadores furtivos matam anualmente cerca de 30 mil elefantes apenas para obter as respetivas presas, fazendo temer pela sobrevivência da espécie a longo prazo.

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