Em entrevista à agência Lusa, Helena Neves, regressada ao país há quatro anos, após vários anos a residir no estrangeiro, defendeu ser necessário “muito trabalho para quebrar com as rivalidades”, que diz existir entre as mulheres na Guiné-Bissau.

“Tenho dito que a Guiné-Bissau é um país de mulheres muito machistas”, afirmou a presidente da associação de mulheres juristas que a própria teve que liderar por falta de quem se chegasse à frente.

Após um grande movimento de pressão das organizações femininas, entre as quais a rede das mulheres parlamentares e a plataforma política das mulheres, o parlamento do país aprovou recentemente uma lei que impõe uma quota mínima de 36% de mulheres nas candidaturas para cargos eletivos públicos.

A lei, aprovada na generalidade no passado mês de agosto ainda se encontra em sede de discussão na especialidade no parlamento, pelo que não entrará em vigor a tempo de ser aplicada nas próximas eleições legislativas, marcadas para 18 de novembro.

A presidente da associação das mulheres juristas da Guiné-Bissau considera que se não for feito um trabalho de disseminação e de sensibilização das próprias mulheres, nem a lei das quotas trará a mudança desejada.

“É preciso explicar o que é isso da lei de quotas, se não for assim será uma letra morta”, observou Helena Neves.

A dirigente associativa aponta para as conclusões de um estudo recente da organização não-governamental Voz di Paz (Voz de Paz), que referem que a rivalidade entre as mulheres é um dos fatores que limitam a igualdade no país.

“Há mulheres que tendo trabalhos que podem dar à outras mulheres profissionais, dão a homens”, enfatizou Neves.

A dirigente sublinha ser anormal quando se vê homens a darem cursos sobre liderança feminina, quando, disse, o país já tem profissionais do sexo feminino naqueles domínios.

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