Guiné-Bissau: Jornalistas dizem não à censura

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Guiné-Bissau: Jornalistas dizem não à censura
Guiné-Bissau: Jornalistas dizem não à censura

O bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau reagiu hoje ao repto do chefe de Estado, José Mário Vaz, afirmando que o pedido não poderá ser atendido em nenhuma circunstância. António Nhaga considerou ainda graves as declarações do Presidente guineense que pede “aos jornalistas locais que façam censura aos discursos políticos como acontece em Cabo Verde”.

O pedido do Chefe de Estado foi feito, ontem, durante um encontro com líderes da comunidade muçulmana por ocasião da festa do Ide Al Fitr. José Mário Vaz lançou um repto aos jornalistas para que daqui por diante passassem a ajudar a promover e a preservar “uma boa imagem externa do país”.

A estratégia seria os jornalistas passarem “a censurar os pronunciamentos políticos que ponham em causa a imagem do país, ou seja, a praticarem a autocensura como acontece em Cabo Verde”, sugeriu o Presidente.

O bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau, António Nhaga, disse que o pedido do Presidente não poderá ser atendido em nenhuma circunstância por ser contrário “ao papel dos homens da comunicação social”

Em declarações à radio nacional da Guiné-Bissau, António Nhaga, considerou lamentável o pedido de autocensura que o Presidente guineense fez aos jornalistas em nome da boa imagem do país no exterior. O bastonário da Ordem acrescentou que em nenhum momento “um jornalista poderá admitir a censura e muito menos a autocensura”.

António Nhaga afirmou igualmente que não são os jornalistas que distorcem a imagem externa da Guiné-Bissau, mas sim os próprios políticos e a ausência de uma política de comunicação coerente no país.

O bastonário da Ordem dos Jornalistas considerou graves as declarações do Presidente guineense que pede “aos jornalistas locais que façam censura aos discursos políticos como acontece em Cabo Verde”. Contudo, acrescenta que isso é um assunto que compete aos jornalistas e políticos de Cabo Verde esclarecerem, adiantou António Nhaga

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