“Não [o Presidente não soube]. Formalmente não, porque achei que não tinha nada de especial. Obviamente, se nos propuséssemos a ir a fundo sobre questões de natureza reservada, lá dentro, estaria em consulta permanente com o senhor Presidente, ‘isto pode sair, isto não pode’. Não é o caso”, disse o autor à Lusa.

Antes, ao comentar sobre o livro na cerimónia de lançamento no Memorial António Agostinho Neto, o autor contou que, na passada quinta-feira, interrompeu o trabalho de João Lourenço na Presidência da República “por uns instantes” para lhe entregar uma cópia do livro.

“‘Mas tu escreveste um livro sobre mim? Parabéns. Não li, mas dou-te os parabéns’, foi a resposta que tive de João Lourenço, que continuou depois a trabalhar”, relatou Luís Fernando.

“Bom, isto é uma reportagem elementar. Faço questão disso. Já disse que qualquer enviado especial [jornalista] que tenha acompanhado o Presidente da República nas suas muitas deslocações, tanto para o interior [do país] como para o estrangeiro, poderia ter escrito este livro. É informação pública, apenas trabalhada”, acrescentou, em declarações à Lusa.

Segundo Luís Fernando, 57 anos, natural da aldeia de Tomessa, na província do Uíge (norte), o livro tem como finalidade “fixar memórias, tão simples quanto isso”.

“É fixar memórias, pois é uma vertente que me tem interessado nos últimos tempos. Comecei com “Memórias da Transição” [De José Eduardo dos Santos a João Lourenço], em que acompanhei a campanha eleitoral. É um tipo de literatura com bastante aceitação, as pessoas querem saber e precisam de se documentar”, explicou.

Para o autor, que foi jornalista desde os 17 anos e que, após as eleições presidenciais de agosto de 2017, foi convidado para o cargo por João Lourenço, os angolanos querem conhecer o que se passa dentro do Palácio Presidencial, na Cidade Alta, em Luanda.

“A ideia é abrir, em primeiro lugar, o Palácio às pessoas, aos angolanos. O Palácio representa o centro político do poder em Angola e, desde que o país se tornou independente [em 1975], ninguém sabe o que é o Palácio, as suas vertentes mais gerais, quem lá trabalha, o que se faz, como é o dia a dia”, explicou.

“Obviamente que não são questões que revelam segredos de Estado. São os acontecimentos públicos, que eu apenas trato, dando-lhe uma capa romanceada, se quiser, e é isto que eu conto. Conto as viagens, como se prepararam, quais as peripécias, etc. Não é um livro extraordinário, é um livro normalíssimo”, referiu.

Luís Fernando trabalhou na Rádio Nacional de Angola mais de década e meia e, mais tarde, foi director-geral do Jornal de Angola.

Dirigiu o semanário O País, hoje em dia, diário, desde 2008, e foi administrador executivo do grupo Media Nova, proprietário da TV Zimbo, Rádio Mais, Exame Angola e O País.

Em 2009 foi admitido como membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) depois de dez anos a publicar livros com regularidade, tendo vencido o Prémio Maboque de Jornalismo em 2011.

O primeiro livro “Noventa Palavras” saiu em 1999, seguindo-se “A Saúde do Morto”, “Antes do Quarto”, João Kyomba Em Nova Iorque”, “Clandestinos no Paraíso”, “A Cidade e as Duas Órfãs Malditas”, a trilogia “Um Ano de Vida”, “Dois Anos de Vida”, “Três Anos de Vida”, “Letras na Brasa” e “Silêncio na Aldeia”.

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