Manifestação do dia 5 de Julho é um sinal que o povo de São Vicente já não quer ouvir boa conversa – GP do PAICV

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O deputado do PAICV (oposição), João do Carmo,  disse hoje que no dia 5 de Julho São Vicente  vai realizar uma manifestação que, segundo ele, é um “sinal claro que o povo já não quer ouvir boa conversa”.

O eleito nas listas do Partido Africana da Independência de Cabo Verde pelo círculo eleitoral de São Vicente fez este anúncio no período antes da ordem do dia da sessão plenária de Junho, que está a decorrer nas instalações da Biblioteca Nacional, uma vez que o edifício do Parlamento está em obras.

As declarações do deputado “tamborina” mereceram uma pronta reacção da parte da deputada Celeste Fonseca, do Movimento para a Democracia (MpD-poder), dizendo que a ilha do Porto Grande está no “centro das atenções” dos eleitos do seu partido.

Para João do Carmo, a manifestação prevista para o dia da comemoração da Independência de Cabo Verde significa que o “povo de São Vicente chegou no seu limite”.

“Se o Governo não souber fazer a leitura deste momento em São Vicente podemos chegar a um ponto em que todo o povo de São Vicente irá exigir muito mais deste Governo e do governo local de São Vicente”, precisou João do Carmo.

Segundo o parlamentar, o executivo de Ulisses Correia e Silva deve “levar mais investimentos externos” à Ilha do Monte Cara e criar ali “mais empregos”, além da “construção de um polo da Universidade de Cabo Verde e de um centro de hemodiálise”.

Para João do Carmo, a manifestação do dia 5 de Julho deve acontecer “com força e presença massiva do povo de São Vicente” para que o Governo saiba fazer a “leitura correcta” do momento em que a ilha vive.

No dizer da deputada do MpD Celeste Fonseca, contrariamente ao que afirmou João do Carmo, São Vicente “faz parte da agenda política do Governo”.

“Tudo quanto elencou como necessidade de São Vicente é, também, preocupação nossa”, indicou a parlamentar eleita nas listas do MpD, acrescentando que o Governo tem sobre a mesa a “busca de soluções para os diversos problemas que afectam não só São Vicente, mas também todas as ilhas de Cabo Verde”.

Na perspectiva de Celeste Fonseca, o deputado João do Carmo esteve a “incitar” os sanvicentinos a irem para a rua manifestar-se.

“Sabemos que a grande motivação para a manifestação que se desenha para o dia 5 de Julho é relativamente ao Campus da Uni-CV em Santiago”, revelou a deputada, lembrando aos colegas da bancada do PAICV que a decisão sobre o citado Campus foi tomada em 2014, altura em que o Governo era liderado pelo partido da “estrela negra”.

A parlamentar Celeste Fonseca perguntou ainda onde estavam as pessoas que hoje “se movimentam para a manifestação”, quando José Maria Neves, antigo chefe do Governo anunciou o Campus da Uni-CV para a ilha de Santiago.

“Eu também acho que São Vicente merece um bom Campus e tenho a certeza que o Governo irá apostar numa possibilidade de a ilha ter também o seu Campus”, concluiu.

Por sua vez, o deputado Humberto Lélis, também do MpD, corroborou com a intervenção da sua colega de bancada, tendo anunciado que nesta sexta-feira, 29, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, vai apresentar, no Mindelo,  o projecto da criação da Zona Económica Especial da Economia Marítima, o que prova que a ilha não está abandonada.

Quem também não ficou de fora deste debate, com foco na Praia e São Vicente, foi o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), António Monteiro, que lembrou que o seu partido confrontou ao então Governo do PAICV com “inúmeras questões” que têm que ver com o desenvolvimento sócio-económico de São Vicente.

“A UCID sentiu-se sozinha em várias batalhas e se tivéssemos tido o apoio necessário, provavelmente, muitas coisas estariam hoje melhor no país”, declarou o líder dos democratas-cristãos, recordando que havia posicionado “contra a atitude do então Governo em transferir o Campus Universitário”.

“Quando o povo demonstra o seu descontentamento de forma ordeira e civilizada, nós, os políticos, devemos baixar as orelhas para que, realmente, o povo possa falar mais alto”, lançou Monteiro, a propósito da manifestação marcada para o dia 5 de Julho.

O Governo, por seu turno, na voz do ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, garantiu que “respeita todo e qualquer tipo de manifestação em qualquer parte do território nacional”.

“Neste quadro, tendo em conta aquilo que foi a declaração dos deputados do PAICV, digo que o Governo vê Cabo Verde sempre como um todo”, assegurou o ministro, para quem as políticas públicas devem ser “focadas para o desenvolvimento de cada ilha”.

Conforme notou, todas as ilhas do arquipélago são “importantes, especiais e merecem total atenção do Governo de Cabo Verde”.

Em relação a São Vicente, destacou que o executivo já desbloqueou um conjunto de investimentos que “estavam bloqueados pelo Governo anterior”.

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