A informação foi prestada na quinta-feira por Omar Mithá, presidente da Empresa Nacional de Hidrocabonetos (ENH) de Moçambique, com base nos contratos assinados e em fase de negociação pelo consórcio investidor (de que a ENH faz parte) liderado pela petrolífera norte-americana Anadarko.

“Fazendo a soma disto, já temos 7,7 milhões de toneladas [por ano]. Se me perguntarem qual o mínimo para o financiamento, são nove, faltam 1,3” milhões de toneladas anuais, resumiu.

Mithá falava num encontro promovido pela ENH com empresários locais em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, onde vai ser implantado o projeto de gás natural da Área 01.

“Se isto [negociações com os clientes] correr bem, essa coisa de esperar vai acabar, porque temos de facto de ter quem compre o gás: se não tivermos, não há dinheiro” para financiar o projeto, orçado em 25 mil milhões de dólares.

“Nunca se fez em toda a África um projeto único” com tal valor, realçou.

Omra Mithá detalhou algumas das parcelas dos 7,7 milhões de toneladas que estão à vista.

Uma empresa está esta semana em Cabo Delgado para observar terrenos na península de Afungi, distrito de Palma, onde vai ser construída a fábrica de liquefação do gás natural extraído do subsolo oceânico a 40 quilómetros da costa.

“Estão dispostos a comprar 2,3 milhões de toneladas por ano”, referiu.

Um outro contrato de 1,2 milhões de toneladas por ano com uma multinacional francesa está prestes a ser analisado pelo consórcio, acrescentou.

A companhia tailandesa PTTEP (que detém 8,5% do consórcio da área 01) já firmou contrato para fornecimento de 2,1 milhões de toneladas por ano e a empresa pública Eletricidade de França também já assinou a compra de 1,2 milhões de toneladas anuais por um período de 15 anos.

Os números representam um avanço face às últimas informações que haviam sido divulgadas pela empresa que lidera o consórcio.

Em fevereiro, a Anadarko anunciou ter garantida a venda de 5,1 milhões de toneladas de gás por ano, mas só quando assinasse contratos para a venda de 8,5 milhões iria tomar a decisão de investir, de acordo com a agência financeira Bloomberg.

Na altura, a petrolífera estava também em contactos com empresas na China, Japão, Coreia do Sul e Indonésia.

No encontro em Pemba, Mithá disse compreender “o desânimo” de alguns empresários que “já tinham feito investimento em hotéis, fábricas” na região, “na expectativa de esses projetos”, por esta altura, já estarem a beneficiar de receitas, tendo em conta que as primeiras descobertas de gás na zona foram feitas em 2010.

Apesar da demora, “as coisas estão a andar”, acrescentou.

Tanto é assim que o plano industrial para a construção de fábrica de liquefação de gás foi aprovado em fevereiro, o reassentamento da população da Península de Afungi já começou e o desenho de uma nova cidade na zona vai ser conhecido dentro de dias.

Omar Mithá referiu que poderá ser submetido em breve a Conselho de Ministros o projeto para 18 mil hectares destinado à construção da futura cidade de Palma, já designada no meio empresarial como a futura cidade do gás.

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