Muçulmanos da Guiné-Bissau terminam Ramadão a lamentar aumento de preços

0
Muçulmanos da Guiné-Bissau
Muçulmanos da Guiné-Bissau

Os muçulmanos da Guiné-Bissau celebram hoje o Ide Al Fitr, festa que assinala o final do Ramadão, a lamentarem a subida dos preços dos produtos nos mercados.

Hoje, centenas de pessoas realizaram a última oração, que assinala o fim de 30 dias abstinência de comida, bebida e relações sexuais desde o nascer e até ao por do sol, mas houve outros que o fizeram domingo. A dúvida do final do dia da festa está sempre relacionada com o aparecimento da lua nova.

No início do fim de semana, muitos muçulmanos lamentaram à agência Lusa o aumento dos preços nos mercados.

Na mesquita do bairro de Cupelão em Bissau, zona de grande concentração de indivíduos que professam o islamismo, Mamadu Silá preocupava-se com a compra de roupa nova para os seus seis filhos.

Segundo a tradição, na última oração, as pessoas devem ter “roupa nova” e “comer boa comida”.

Sillá, funcionário público, disse que até sexta-feira apenas tinha comprado roupa para si, a mulher e um dos filhos. O problema, explicou, são os preços que estão “altíssimos”.

“Está tudo caro. Nem com 150 mil francos (cerca de 228 euros) compro roupa para os meus”, lamentou-se Mamadu Sillá, que não colocou de lado “comprar fiado ao amigo senegalês” que lhe vende coisas para casa.

Umaro Baldé, que vive de biscates e é pai de três filhos, disse que o seu problema nem era a roupa, mas saber se comprava uma cabra ou nacos de carne de vaca para o almoço de hoje.

A questão, frisou Baldé, é que um quilograma da carne de vaca de primeira qualidade custa quatro mil francos (cerca de seis euros) e menos de 10 quilos não chegam para o almoço.

Aissatu Camará, ‘djila’ (comerciante tradicional) de quinquilharias compradas no Senegal, vai usar para a oração um vestido que tinha guardado na mala e a seguir à celebração no largo da Câmara Municipal em Bissau viaja para Canchungo, no interior, para se juntar à família.

Desta forma Aissatu “fugirá” dos amigos e vizinhos que já a avisaram que vão “buscar a festa do Ramadão” em sua casa, disse a jovem muçulmana, que também confirma que “os preços estão altos”.

Na realidade, o mercado guineense tem registado nos últimos meses uma extraordinária subida de preços, situação denunciada recentemente pela Acobes (Associação Guineense de Defesa de Consumidores de Bens e Serviços).

Uma caixa de refrigerantes subiu de seis para oito mil francos CFA (cerca de 12 euros), uma galinha do campo que era comprada por quatro mil, custa agora seis mil francos (cerca de nove euros), um fato tradicional que era vendido por 10 mil francos (cerca de 15 euros), agora custa o dobro do preço, um ovo da galinha passou dos 100 francos para 150 (0,22 cêntimos de euro).

Todos os anos, todos se queixam dos preços, mas ninguém deixa de cumprir com aquilo que são os rituais para assinalar o final do período do jejum: roupa nova para ir ao Ide Al Fitr, muita comida, troca de visitas amistosas e de votos de “salam” (de paz).

Publicidade