“Apoiamos fortemente a proteção de nossos oceanos e ecoturismo como parte de planos para uma economia mais diversificada e sustentável”, referiram as organizações não-governamentais (ONG), notando que uma grande percentagem da população “já depende da vida marinha e costeira para alimentação, nutrição e rendimento familiar”.

“Se desenvolvido apropriadamente, com base nos esforços existentes do Governo, a observação de baleias e o ecoturismo têm o potencial de trazer benefícios económicos significativos para as comunidades locais”, de acordo com uma declaração conjunta das ONG.

A declaração é assinada por 13 organizações timorenses, entre elas, a La’o Hamutuk, a Haburas Foundation – Friends of the Earth TL, a PERMATIL, o HASATIL Network e o Movimentu Hadomi Natureza (Mohana).

Assinaram também o documento a Conservation Flora and Fauna, a Tafon Green Association, a HAK Association, a Rede ba Rai, o Kdadalak Sulimutu Institute, o Movimentu Tasi Moos, a Oxfam em Timor-Leste e a RENETIL.

A declaração foi publicada na véspera da chegada a Díli do ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Taro Kono, numa altura em que Tóquio tem desenvolvido intensas negociações em vários países para levantar a proibição da caça à baleia.

“Considerando os recentes movimentos do Governo do Japão em apoio à caça das baleias, estamos preocupados que a questão possa surgir durante a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão a Timor-Leste”, indicaram no texto.

“Desejamos deixar claro o nosso forte apoio a que Timor-Leste permaneça um santuário para as baleias e os golfinhos”, sublinharam.

As ONG destacaram “o ambiente natural único e o património valioso” do país e sublinharam o apoio do Governo timorense ao desenvolvimento do ecoturismo marinho e à proteção da vida marinha.

Um sinal desse apoio foi a aprovação, em Conselho de Ministros, do “Plano de Desenvolvimento para uma Economia Sustentável do Ecoturismo Marinho em Timor-Leste” para transformar o país numa “referência em turismo de mergulho e observação de baleias no Sudeste Asiático”.

A aposta na diversificação económica e em políticas sustentáveis, que salvaguardem o “frágil património ambiental natural” timorense, podem ajudar a gerar grandes potenciais no país, defenderam.

“Juntamente com o nosso ambiente agrícola essencialmente orgânico, jardins de permacultura, belas praias e recifes de corais vibrantes, baleias e golfinhos fazem parte do nosso tesouro nacional, marcando Timor-Leste como único no mundo e aumentando as possibilidades de impulsionar o turismo nacional e internacional”, referiram.

“O ecoturismo marinho, no entanto, só pode florescer se formos capazes de administrar os nossos recursos adequadamente e proteger as nossas baleias e os golfinhos das várias ameaças que enfrentam, como a caça comercial e os detritos plásticos”, advertiram.

Ameaças destacadas na reunião de setembro em Florianópolis, no Brasil, da Comissão Baleeira Internacional (CBI), organização de 89 países responsáveis pela conservação das baleias.

Nesse encontro, o Japão apresentou uma proposta controversa, apoiada por 25 outros membros, que procurava remover a proibição a longo prazo, promovendo, em vez disso, “uma coexistência” entre conservação e caça comercial. A proposta foi rejeitada.

“Timor-Leste deve estar em solidariedade com os membros da CBI que procuraram proteger baleias e golfinhos. Devemos nos opor à chamada ‘pesca sustentável de baleias’ porque na verdade isso não existe”, de acordo com a declaração.

“Baleias e golfinhos são mamíferos, não peixes, e são caçados, não pescados. Precisamos garantir que as nossas políticas nacionais combatem o forte ‘lobby’ pró-caça às baleias”, concluiu.

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