Apesar do mau tempo, o segundo dia do Portugal Fashion no Parque da Cidade recebeu lotação esgotada nos desfiles da passarela principal, com o ‘punk’ de Hugo Costa, que apresentou em janeiro, na semana da moda masculina de Paris, a sua coleção outono/inverno 2018/19 “(A)way of Punk”, inspirada no movimento ‘Punk’, de reação à normalidade.

“Não queríamos o punk puro e duro como corrente de estética, queríamos utilizar o seu caráter reacionário, interventivo, que questiona os valores presentes. Quisemos reagir com isto tudo aos nossos valores como marca, e valores sobre a utilização de pormenores que utilizávamos e todo o vestuário que fazíamos”, explicou à Lusa Hugo Costa.

A coleção questiona o que tem em casa, o que faz em casa, até chegar ao próprio guarda-fatos e à indumentária do pai, refere o ‘designer’ de moda, explicando que o clássico sofre uma intervenção para se diferenciar, seja nos fatos, nas calças, nas camisas ou na combinação de cores.

“Foi uma coleção de reação também aos nossos hábitos, às nossas limitações”, sintetiza.

Logo a seguir ao desfile de Hugo Costa, chegou a coleção “Night Drive”, de Luís Buchinho, que trouxe à passarela principal o universo em que Denis Villeneuve retrata o quotidiano de um “Blade Runner” em 2049, com atmosferas futuristas.

“É uma coleção muito inspirada no filme ‘Blade Runner’, tanto na versão dos anos 1980, como na versão contemporânea, em que há um imaginário muito virtual, muito ligado à imagem digital, no entanto com uma imagem de uma mulher extremamente afirmativa, extremamente sexy, muito retirada dos anos 80, um universo que me é caro desde então”, descreveu Buchinho.

Depois da apresentação da coleção “Woodland”, de Micaela Oliveira, foi a vez de Miguel Vieira, que está a celebrar os 30 anos de carreira este ano, revelar os seus novos coordenados da coleção ‘rock & roll’.

“Apesar de eu ter um estilo muito certinho e clássico é um estilo de música de que eu gosto”, assumiu Miguel Vieira, em entrevista à Lusa, explicando que a coleção retrata um grupo de amigos que vai ver um concerto de rock & roll, que gosta de vestir bem, que gosta de peças com muita qualidade e ‘design’, mas que durante o concerto transformam as peças para melhor poderem usufruir do evento musical.

Os casacos de caxemira despem-se e metem-se à volta das cinturas, há bolsas à cintura para os cartões e telefones, e outros ‘looks’ utilitários urbanos, como mochilas, mas há também peitilhos em pele para camisa, botas acima do joelho para mulher, napas, pêlo falso, lantejoulas e plissados, sempre nos tons a que Miguel Vieira já habituou o público, entre os pretos caviar, azul marinho e verde azeitona.

Questionado pela Lusa sobre qual a estrela do rock & roll que gostava de destacar, Miguel Vieira não vacila e refere de imediato o nome de Zé Pedro, da banda portuguesa Xutos e Pontapés.

“Uma pessoa que está no meu coração e que partiu e que faz muita falta e que eu tive o privilégio de ter a desfilar para mim e tive uma sala inteira a bater palmas”, recorda Miguel Vieira.

A 42.ª edição do Portugal Fashion encerra no sábado, dia 24, com o desfile de Diogo Miranda, com início marcado para as 23:00.

Sábado também é dia para a apresentação das novas coleções dos ‘designers’ Luís Onofre (22:30), Katty Xiomara (16:00), Nuno Baltazar (15:00) e das marcas Dielmar (21:30), Lion of Porches (20:00), Ana Sousa (19:00) e Concreto (18:00).

O Portugal Fashion é um projeto da responsabilidade da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), desenvolvido em parceria com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, e é cofinanciado pelo Portugal 2020, no âmbito do Programa Operacional da Competitividade e Internacionalização — Compete 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

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