O desfile aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal do 4.º bairro de Paris, numa altura em que a capital francesa acolhe a Paris Fashion Week, que arrancou a 26 de fevereiro e termina na próxima terça-feira.

“A música porque é a minha maior inspiração de sempre. Eu nunca tinha dedicado uma coleção à música e até era uma injustiça porque é a minha única companhia em termos de criação. Eu sou incapaz de desenhar sem música”, contou à Lusa Fátima Lopes.

A próxima estação fria da designer foi concebida com peças inspiradas na “música clássica, rock, folk, um pouquinho de todos os tipos de músicas”, mas também nos próprios decibéis, o que resulta numa coleção muito gráfica e “a mais sofisticada dos últimos anos em termos de materiais e de detalhes”.

“Temos materiais novos, recortados a lazer, que faz um efeito de mostra/esconde porque é recortado em aberto, em nu. Além dos jogos de transparência, há também o jogo de recortes que deixa transparecer a pele e, portanto, é muito sexy, muito sensual. Depois, é muito gráfica. Há jogos de tiras que se entrelaçam e sobrepõem e ora fazem cintos, ora fazem tops”, descreveu.

Entre jogos de transparência e jogos de recortes a lazer, há mistura de materiais, como rendas com sedas, lãs e cachemira com peles e pelos, viscoses, ‘mousselines’ de seda e malhas tricotadas, tecidos lisos com tecidos texturizados.

A coleção é rica em vestidos e “não há meios termos”, ou são muito curtos ou “completamente pelo chão” ou “a bater no botim”, revelando a coleção de calçado, com botins, stilettos e botas de salto médio.

Esta é, também, “a coleção mais rica em casacos de sempre”, pensados para “um inverno muito confortável e muito moda”, entre formas ‘oversize’ a “casacos em linha A”.

Com 38 coordenados, esta é “também a maior coleção dos últimos tempos” que oscila entre o ‘casual’ e a sofisticação, com jogos de contrastes nos volumes, nos cortes, nos materiais e nas cores.

Em termos de palete, o desfile começou com tons pastel, nomeadamente o rosa, “um detalhe novo na marca”, depois passou para os tons terra, com dourados, castanhos, verdes e cerejas, continuou pelo azul ‘Klein’, branco e cinza e terminou nos tons negros.

Este é o 39º desfile consecutivo de Fátima Lopes em Paris, a cidade que continua a ser para a ‘designer’ a sua “montra para o mundo”, onde já tem “raízes de quase 20 anos”, festejando, em março de 2019, os 20 anos de desfiles consecutivos em Paris.

“Primeiro, é muito difícil fazer uma marca e para se fazer uma marca é preciso provar que somos sérios e que estamos cá para ficar. Portanto, tem que haver uma consistência, uma persistência. Estes 39 desfiles provam que a marca é séria, que é empenhada e que está cá para ficar, não é para brincar. Não se brinca à moda”, afirmou.

Abrir uma loja em Paris continua a ser “um sonho” para Fátima Lopes, que chegou a ter um espaço na rua de Grenelle, mas faltam “os investimentos certos” para conseguir um lugar na atual rua das grandes marcas de moda, a rua de Saint-Honoré, onde poderia competir com grandes marcas como “a Dior, a Chanel ou a Louis Vuitton”.

“A moda, seja de grande distribuição barata ou de alta costura, é um dos melhores negócios do mundo. Haja visão para se perceber que Portugal tem ‘know-how’, indústria, criadores. Só falta juntar investidores para fazer impérios de moda a uma escala mundial porque isso é possível”, concluiu a ‘designer’.

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