O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou, esta quinta-feira, que os avanços no processo de paz em Moçambique e a melhoria da governação em Angola são positivos e oferecem uma janela de oportunidade para estes países melhorarem a economia.

No relatório ‘Perspetivas Económicas para a África Subsaariana’, quinta-feira divulgado em Nusa Dua, durante os Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, na Indonésia, o Fundo diz que “o recente acordo de paz no Sudão do Sul, o processo de paz em curso em Moçambique e os passos importantes que foram dados em Angola para lidar com os antigos problemas de governação e para atacar os desequilíbrios macroeconómicos que limitaram a economia nos anos recentes” são positivos e oferecem uma janela de oportunidade para estes países se desenvolverem.

No relatório de 68 páginas, os economistas do FMI alertam para um conjunto de desequilíbrios nas economias africanas, destacando que o panorama varia substancialmente de país para país e que não é possível analisar o continente como um todo, mas ainda assim identificam problemas que atravessam a região, como o crédito malparado que subiu significativamente desde a descida dos preços do petróleo, em meados de 2014.

“Alguns países fizeram recentemente alguns progressos na redução do crédito malparado (Guiné Equatorial, Guiné-Bissau), fortalecendo as reservas de capital (Angola, Gana, Moçambique)”, mas a redução sustentada deste crédito que os bancos têm dificuldade em cobrar requer estratégias abrangentes de redução”, lê-se no documento, que aponta três riscos principais às previsões macroeconómicas.

“Apesar de o crescimento mundial continuar a expandir-se sustentadamente, o crescimento das tensões comerciais, a previsível normalização monetária e a volatilidade nos mercados de ativos ensombram as perspetivas para a África subsariana”, que deverá crescer 3,1% este ano e 3,8% em 2019, uma previsão ligeiramente inferior aos 3,9% previstos em abril para este e o próximo ano.

Este crescimento, no entanto, “não será suficiente para a região tirar partido do seu dividendo demográfico, já que a criação de emprego ficará provavelmente abaixo das necessidades para absorver os jovens a entrar no mercado de trabalho”.

O FMI estima que 100 milhões de pessoas cheguem à idade de trabalho, definida entre os 15 e os 64 anos, entre 2030 e 2035, “excedendo a média do resto do mundo, o que significa que a região precisaria de criar 20 milhões de empregos todos os anos entre 2018 e 20135, o que é o dobro da média de novos empregos criados nos últimos cinco anos”.

Para resolver este e outros problemas, o FMI recomenda uma série de passos que incluem a melhoria da gestão da despesa pública, entre outros, e destaca um conjunto de reformas para melhorar os mercados e a atratividade das economias africanas.

“As principais reformas de mercado a serem implementadas nos países da África subsariana incluem a melhoria da regulação dos produtos de mercado e o encorajamento da concorrência (Angola, Costa do Marfim, África do Sul), garantia de fontes fiáveis de ‘inputs’ industriais como eletricidade (Angola, Costa do Marfim, Nigéria), melhorar a eficiência e as finanças das empresas públicas em setores importantes (Angola, Camarões, Costa do Marfim, África do Sul) e melhorar o acesso ao crédito (Angola, Camarões, Nigéria).

Sobre as “tensões comerciais” entre os Estados Unidos e outros países, o FMI diz que isto pode significar uma perda de 0,5 pontos percentuais no PIB de África entre 2018 e 2021, num total de 1,5% da riqueza nestes quatro anos, “afetando principalmente as economias dos países exportadores de matérias-primas e dos que estão mais integrados nos mercados globais”.

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