“O Conselho Nacional aprecia a atuação dos demais órgãos do partido, pode suspender o mandato dos respetivos titulares se o entender estritamente necessário, excetuando o presidente”, disse o líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social-democrata (MLSTP-PSD), evocando o artigo 43.º do Estatuto.

No sábado, o Conselho Nacional, órgão deliberativo do partido, ratificou uma decisão da Comissão Política e suspendeu seis membros, incluindo o seu presidente, Aurélio Martins.

Entre os seis membros suspensos constam os três que subscreveram a carta ao parlamento que deu origem à resolução para a exoneração e reforma compulsiva de três juízes do Supremo Tribunal de Justiça.

Os três juízes alvo desta resolução foram os que decidiram pela devolução da cervejeira Rosema ao empresário angolano Mello Xavier, decisão que o Governo contesta.

Aurélio Martins reconhece que o seu partido atravessa uma crise interna grave nas vésperas das eleições, por isso defende a realização de um congresso extraordinário como solução viável para se ultrapassarem as clivagens internas.

“Uma solução que acho ideal é a realização de um congresso extraordinário, com um candidato único consensual, para guiar o destino do partido e prepará-lo para as próximas eleições e esse candidato seria a figura de primeiro-ministro”, defendeu o líder dos sociais-democratas.

O presidente do MLSTP-PSD anunciou que a partir de hoje vai contactar “os vários camaradas do partido, incluindo os veteranos” para expor as suas ideias que para “a pacificação da situação no interior” desta formação política.

Aurélio Martins defendeu que, a haver um congresso extraordinário, o mesmo deve ter lugar “o mais tardar em finais de junho para dar tempo à nova direção de criar as condições para as eleições” e garantiu que não será candidato.

“Tudo o que quero é contribuir para pacificar os ânimos, tirar o partido da crise, estamos perto das eleições e se formos para esses escrutínios tão divididos como estamos, não haverá a possibilidade de ganharmos”, sublinhou.

“Teremos eleições este ano e elas são muito importantes para o MLSTP e para o nosso país e seria bom que nós mostrássemos aos nossos militantes e à população a nossa união, a nossa coesão, que considero fundamentais para ganharmos as próximas eleições a serem realizadas em outubro deste ano”, acrescentou.

O líder do MLSTP-PSD lembra que já são recorrentes “estas clivagens” nas vésperas das eleições.

“Sempre nestas alturas das eleições há vontades e apetências que surgem dentro do partido e só com um diálogo permanente podemos ultrapassá-las”, referiu.

Aurélio Martins reconheceu que a crise no seio do seu partido agudizou-se com a carta que subscreveu ao parlamento para a exoneração e reforma dos juízes, mas acusou o partido maioritário, Ação Democrática Independente (ADI) de “adulterar o seu conteúdo”.

Acusou também “alguns camaradas de há muito quererem ver o presidente fora do partido”, considerando que esta clivagem começou nas eleições presidenciais de 2016, quando orientou os militantes a apoiarem a candidatura de Maria das Neves e não a de Manuel Pinto da Costa.

Publicidade