Com o título “A musa irregular — edição aumentada”, esta compilação de Fernando Assis Pacheco é o novo título a ser lançado na coleção de poesia dirigida por Pedro Mexia, organizado por Abel Barros Baptista, com posfácio de Manuel Gusmão.

Poeta do “tom menor”, como lembra Manuel Gusmão, Fernando Assis Pacheco seria avesso a que lhe publicassem uma “obra poética”, pelo que a Tinta-da-China optou por recuperar aqui a coletânea e o “imbatível título ‘A Musa Irregular’ (1991), numa edição aumentada que inclui o livro autoelegíaco e fescenino ‘Respiração Assistida’ (2003) e um novo ‘lote de salvados’, ou seja, de inéditos e dispersos”, segundo Pedro Mexia.

“Tendo-se estreado em 1963, Assis publicou nessa década e na seguinte os mais memoráveis poemas portugueses sobre a guerra colonial, graves, sarcásticos, fraternos, amargos. Desconfiados da grandiloquência, são ‘poemas­-reportagem’ sobre o torpor e o medo, sobre os companheiros de armas. A segunda metade da produção de Assis é marcada pela agilidade e a diversidade: poemas coloquiais, melancólicos, auto-irónicos, experimentais, afetivos, facetos, atreitos à quebra sintáctica e à corruptela ortográfica”, explica o responsável pela coleção.

Pedro Mexia, também ele poeta, além de cronista e crítico literário, refere que “o jornalista Assis dedica-se a uma poesia da ocorrência, tanto quanto da experiência: os amigos partindo-se, os reencontros tristes, os avós galegos, a amada e os seis filhos, Campo de Ourique, a Coimbra estudante ou futrica, a lírica bucólica de Pardilhó”.

“E o tempo que passa, o tempo que passou”, acrescenta.

Do mesmo autor, a Tinta-da-China já publicou “Tenho cinco minutos para contar uma história” – as crónicas com que Fernando Assis Pacheco animava as manhãs da RDP entre 1977 e 1978 — e “Bronco Angel, o cow-boy analfabeto”, novela humorística escrita sob o pseudónimo William Faulkingway, publicada como folhetim no jornal satírico “O Bisnau”, na década de 1980.

Publicidade