A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) solicitou nesta segunda-feira apoio à Polícia Federal para realização de perícias que permitam apurar as causas do incêndio que destruiu o Museu Nacional, pedindo ainda ao governo apoio financeiro.

“A cultura e o património científico do Brasil e do mundo sofreram uma perda inestimável com o incêndio ocorrido no Museu Nacional da UFRJ. Há décadas que as universidades federais do país vêm denunciando o tratamento conferido ao património das instituições universitárias brasileiras e a falta de financiamento adequado, em especial nos últimos quatro anos, quando as universidades federais sofreram drástica redução orçamentária”, pode ler-se em comunicado divulgado hoje pela reitoria da Universidade Federal, que tem o museu sob sua tutela.

No que diz respeito ao incêndio que deflagrou no domingo à noite e destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional, fundado há 200 anos por João VI, “será necessário averiguar as causas e o motivo da rápida propagação das chamas”, pelo que a reitoria “solicitou apoio pericial à Polícia Federal e a especialistas da UFRJ, almejando um processo rigoroso de apuração das causas”.

“Urge, por parte do Governo Federal, uma mudança no sistema de financiamento das universidades federais do país. A matriz orçamentária existente no Ministério da Educação não aloca nenhum recurso para os prédios tombados pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e para os museus universitários. O mesmo acontece com o Ministério da Cultura, que igualmente não prevê recursos para tais fins”, referiu a reitoria da UFRJ.

Para aquela universidade, o momento atual “deve ser um alerta para as forças democráticas do país, no sentido de preservação do património cultural da nação”, lembrando que “o inadmissível acontecimento que afeta o Museu Nacional da UFRJ tem causas nitidamente identificáveis”.

“Trata-se de um projeto de país que reduz às cinzas a nossa memória. Nós desejamos que a sociedade brasileira se mobilize junto à comunidade universitária e científica, para ajudar a mudar o tratamento conferido à educação, à memória, à cultura e à ciência do Brasil”, realçou a UFRJ, que acrescentou que vão decorrer reuniões com os ministros da Educação e da Cultura do Brasil, tendo sido pedido também um encontro à Presidência da República.

O acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, que foi consumido por um incêndio na noite de domingo e ao longo da madrugada de hoje, era um dos maiores históricos e científicos do país, com cerca de 20 milhões de peças. A instituição, criada há 200 anos, foi fundada por João VI, de Portugal, e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

O ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, lamentou hoje o incêndio que atingiu o museu, classificando-o como “uma perda irreparável”. “Estamos consternadíssimos. Nós sentimos também essa perda porque era um acervo importantíssimo da história natural do país, da sociedade brasileira e também da história política, sendo este o palácio onde o rei de Portugal se veio instalar quando levou a corte para o Brasil. É um monumento muito importante para a história dos dois países”, disse o ministro à chegada ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, onde abriu o 9.º colóquio do pólo de pesquisas luso-brasileiras.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro era o maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina e o edifício tinha sido residência da família real e imperial brasileira. De acordo com um comunicado publicado ‘online’ pela direção do museu, não há vítimas a registar neste incêndio.

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