“Há cerca de 20 detidos”, confirmou fonte policial que explicou que estiveram envolvidos agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

A intervenção da polícia ocorreu depois de vários dias de protestos organizados pelo Movimento Universitário de Timor-Leste (MULT) que contesta, como o fez no passado, a compra de viaturas para os deputados.

Os estudantes questionam em particular o facto de os veículos usados pelos deputados serem leiloados, a preços muito mais baixos do que o mercado, quando os deputados terminam o mandato.

Uma delegação do MUTL esteve esta semana com o Presidente do Parlamento Nacional para apresentar a sua contestação à decisão do Parlamento, que prevê comprar quase 50 novas viaturas.

Cerca de 34 ex-deputados, que terminaram a sua legislatura este ano, poderão comprar as viaturas que usavam.

Apesar de alguns momentos de tensão, o protesto tem decorrido sem grandes incidentes, situação que mudou hoje, segundo fonte policial, quando os estudantes se aproximaram mais do que os 100 metros permitidos no complexo do Parlamento.

O Parlamento está localizado à frente dos edifícios principais da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) e os manifestantes concentram-se num jardim próximo, ao lado da entrada do Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT), no centro de Díli.

O protesto tinha já sido contestado por alguns deputados pelo facto dos estudantes usarem caixões e cruzes, simbolizando as usadas em lápides, com nomes de deputados e do presidente do Parlamento Nacional.

Adrovaldo, um dos estudantes, explicou à Lusa que o protesto foi convocado para reivindicar “justiça social”, contestando o uso de fundos públicos para comprar carros novos, quando “há tantos problemas no país”.

“Estamos a fazer este protesto em defesa dos interesses do povo. O Parlamento deve atender aos interesses do povo. Se não houver decisão, vamos continuar aqui em protesto”, disse.

“Nós não queremos anarquismo, mas a polícia disparou contra nós, aqui no campus da Universidade”, disse, ao lado de um jovem que mostrou um ferimento ligeiro na cabeça, alegadamente em resultado da intervenção policial.

Cândido Araújo Silva, aluno do terceiro ano de Relações Internacionais, insistiu que os jovens têm autorização da polícia para se manifestar e questiona a intervenção “muito forte” da polícia.

“Temos direito a manifestar-nos. A polícia autorizou a manifestação. Falámos com o Parlamento, mas não temos ainda resultado”, disse.

“Timor-Leste tem muitos problemas. Falta de infraestruturas básicas, estradas, saúde e educação que afetam o povo. O Parlamento representa o povo, mas parece que não está preocupado com o povo, mas apenas com os interesses deles próprios”, considerou.

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