O adiamento do congresso, anunciado esta terça-feira pela comissão de gestão, que não indicou nova data, dará possibilidade de “as candidaturas discutirem as ideias e, junto das bases, esclarecer aquilo que pensam sobre o partido e sobre o país”, afirmou o membro da comissão de gestão do ADI Abenildo de Oliveira.

“Permitirá que os militantes possam discutir todos, do topo à base, a nossa governação dos últimos quatro anos, aquilo que foi o nosso processo eleitoral e tirarmos as lições devidas e fazer uma introspeção sobre aquilo que foi o ADI até hoje, aquilo que deve ser o ADI depois do congresso”, explicou.

Abenildo de Oliveira, também líder da bancada parlamentar do ADI, rejeitou ainda a posição assumida pelo antigo secretário-geral do partido, Levy Nazaré, que esta terça-feira garantiu que o congresso se realizará mesmo no dia 30.

O responsável sublinhou hoje que o partido tem uma direção e uma comissão de gestão, que “é legítima e só ela poderá preparar o congresso”.

Para Abenildo de Oliveira, Levy Nazaré, que disse falar “em nome” dos membros da comissão política e dos militantes, “não tem qualquer legitimidade” para anunciar que o congresso vai mesmo ter lugar, apesar do adiamento.

“Este adiamento vai permitir que possamos preparar um congresso de que todos os militantes e dirigentes possam se orgulhar, um congresso depois do qual possamos ter uma direção que nos represente e que congregue o partido”, disse Abnildo de Oliveira.

Entretanto, a candidatura do ex-ministro Agostinho Fernandes, a única apresentada, até agora, à liderança do partido, repudiou a decisão do adiamento do congresso.

“A comissão de gestão, que recebeu do conselho nacional o mandato para realizar o congresso e não para adiá-lo, a seu bel prazer, teve 60 dias para realizar todas as assembleias distritais e regional”, considerou, numa nota hoje divulgada.

O documento, assinado pela mandatária da sua candidatura, Ilza Amado Vaz, ex-ministra da Justiça, diz não compreender por que razão só depois da apresentação pública da candidatura, na semana passada, esta comissão decidiu adiar o congresso.

“Tal postura e as motivações que lhes estão subjacentes, para além de representarem um ato de desrespeito para com os militantes e dirigentes do partido que se exprimiram no conselho nacional, abre espaço para suspeitas legítimas sobre a real intenção da referida comissão de realizar em tempo oportuno o congresso eletivo”, afirmou.

O ADI, que esteve no poder no último mandato (2014-2018), num executivo chefiado por Patrice Trovoada, venceu as eleições legislativas de outubro de 2018, mas não formou Governo, após um acordo entre os segundo e terceiro movimentos mais votados (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata e coligação PCD-UDD-MDFM), que lhes garantiu maioria absoluta na Assembleia Nacional e condições para governar.

O partido está sem presidente desde novembro do ano passado, quando Patrice Trovoada decidiu suspender as suas funções na liderança do ADI.

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