África na agenda da União Europeia

A Opinião de António Saraiva

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Português, empresário, presidente da Confederação Empresarial de Portugal

É preciso que este renovado interesse da Europa por África não esmoreça. Portugal, obviamente, detém um papel da maior importância neste reaproximar.

Na semana passada, numa conferência de alto nível sobre uma nova parceria com África, o presidente do Parlamento Europeu defendeu que é tempo de colocar o continente africano no topo da agenda da União Europeia.

Disse ainda que os atuais 3,4 mil milhões de euros do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Sustentável são “um passo importante na direção certa, mas ainda longe do suficiente”.

Este fundo foi recentemente constituído como o principal instrumento do Plano de Investimento Externo Europeu, que apoia o investimento nos países africanos e da vizinhança europeia, numa lógica semelhante à do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos. O objetivo é incentivar o setor privado a investir em países ou setores em que, de outro modo, não o faria, dado o elevado risco que apresentam.

Tajani pretende ir mais longe e trabalhar para que, no âmbito do próximo orçamento plurianual da União Europeia, pelo menos 40 mil milhões de euros se destinem a este fundo: um verdadeiro Plano Marshall para África.

Já esta semana, a presidente da BusinessEurope apelou a um compromisso ao mais alto nível político e empresarial para desenvolver uma nova estratégia europeia para o continente africano, em benefício de ambos os parceiros. De facto, as soluções não podem ser deixadas só aos políticos e também não podem estar exclusivamente nas mãos das empresas. É necessário um esforço conjunto. Nas palavras de Emma Marcegaglia, “a mensagem da comunidade empresarial europeia é clara: não podemos perder mais tempo”.

Com o fim do prazo de vigência do Acordo de Cotonou em 2020, é agora o tempo de firmar uma posição para estabelecer um novo paradigma baseado na compreensão do potencial económico contido no continente africano. A União Europeia é o principal investidor em África e o seu principal parceiro comercial. Mas as empresas chinesas estão a aumentar exponencialmente a sua presença neste território, sendo preciso assegurar que as empresas europeias tenham acesso às mesmas oportunidades.

A participação de empresas europeias no tecido económico destas comunidades deveria determinar a criação de plataformas de desenvolvimento, que não só contribuirão para o crescimento económico mas também para o desenvolvimento de capacidades profissionais na população, com um efeito prolongado na prosperidade local.

É preciso que este renovado interesse da Europa por África não esmoreça. Portugal, obviamente, detém um papel da maior importância neste reaproximar entre os dois continentes. Será, também, um potencial ganhador, na medida em que detemos inegáveis vantagens competitivas no relacionamento com África.

No momento em que se reúne a Cimeira União Europeia-União Africana é bom lembrar que, com todos os seus problemas, a África é também um espaço de grande potencial. A China entende-o bem e está a avançar depressa. Não o entendamos, nós, tarde demais.

 

 

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