Está escrito mais um capítulo da façanha dos tri-campeões do Girabola, movidos por uma enorme força mental, quando a espaços as pernas parecem sucumbir ao desgaste resultante da época que já vai longa e parece não querer terminar para os rubro e negros.

Com o corpo a comandar a mente, os pupilos do sérvio Zoran Macki colocaram em prática uma das mensagens motivacionais estampadas no quintal do antigo centro de estágio, no RI-20: “Só desiste da luta quem não conhece o sabor da vitória”.

O embaixador angolano continua a mostrar aos colossos do futebol africano, que tem estofo competitivo para lá do consumo interno, mes-mo contra a vontade do árbitro senegalês Ndiaye Maguette, zeloso na protecção da equi-pa tunisina.

Lançado do banco em substituição de Mongo, Buá fez aos 82 minutos, como que a se redimir do falhanço no lance anterior, o golo que coloca o 1º de Agosto em vantagem na eliminatória, a ser decidida no dia 23, no Estádio Olímpico de Radès.

Foi mais uma tarde e noite para amanhã recordar. Dentro do campo, na hora de medir o “ranking”, conforme defendem os líricos da bola, o triunfo tombou para o lado de David, que deixou mais um Golias à beira da eliminação.

E tudo começou na aposta no duplo pivô defensivo. Show e Macaia deram personalidade ao meio campo militar, o suficiente para estancar a arrogância tunisina, sustentada pela qualidade competitiva do camaronês Franck Kom e do maliano Fousseny Coulibaly. Na falta de andamento, por estar ainda numa fase embrionária da época, o Es-perance elegeu a virilidade, com contornos de violência, como argumento para contrariar a adversidade imposta pela organização táctica dos donos da casa. Muito estranhamente, teve a cumplicidade do árbitro.

Dúvidas desfeitas

A primeira “mão” deixou claro que as equipas, cada uma com as suas armas, se equivalem. O palmarés conta apenas para enfeitar o currículo, porque com a bola a rolar, a propalada vantagem magrebina desfaz-se no quadro de total equilíbrio.

Muito enérgico no início e na etapa final do desafio, sempre com Geraldo como farol na procura dos melhores caminhos para chegar à baliza de Rami Jeridi, o 1º de Agosto desfez  a aposta de Khaled Ben Yahia, na estratégia de decidir o passe nos seus domínios, sem sofrer qualquer golo.

Longe da soberba que poderia assaltar a equipa, depois do sucesso diante do TP Mazembe, o 1º de Agosto continua fiel aos princípios de jogo que sustentam o percurso vitorioso na grande montra do futebol de clubes do continente. A defesa a sustentar o lavor do ataque.

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