O representante dos agricultores de Chã das Caldeiras, junto ao vulcão da ilha cabo-verdiana do Fogo, afirmou à Lusa que a produção agrícola ainda não recuperou totalmente após a última erupção, pedindo investimentos em água e na saúde.

A aldeia, a quase 2.000 metros de altitude, é conhecida pelas suas características únicas para produção agrícola, desde logo o típico vinho do Fogo, mas casas e campos foram engolidos pela lava nos 77 dias que durou a erupção que se iniciou em 23 de novembro de 2014.

Segundo Rosandro Monteiro, presidente da Associação de Agricultores de Chã das Caldeiras, após o “rio de lava” ter literalmente levado a aldeia do mapa, foi necessário encontrar novos campos de cultivo, a principal atividade da população, que logo após a erupção começou a regressar, reconstruindo tudo a partir do zero.

“Perdeu-se 10 a 15% das videiras, mas aqui já se recuperou bastante, porque todos os anos está-se a plantar mais”, explica Rosando Monteiro. Essas novas plantações acontecem precisamente nas encostas do vulcão, tirando proveito das condições locais.

“É tudo produção biológica. Nas uvas, a única praga que temos é o oídio, que é tratado diretamente com o enxofre do vulcão”, conta o porta-voz dos agricultores, atividade que ocupa as mais de cem famílias que há regressaram a Chã das Caldeiras.

Em terrenos da grande cratera do vulcão, na envolvente da aldeia, produz-se já um pouco de tudo. Além das videiras e do vinho, uma autêntica imagem de marca, também mandioca, batata, batata-doce, pêssego, melão, melancia ou citrinos, entre outros produtos, que além do consumo interno ainda seguem para outras ilhas do país.

“Perdeu-se muito nas restantes produções. Por exemplo, o feijão-congo perdeu-se muito e não se recuperou na totalidade ainda. Hoje estava a ser vendido a 220 escudos [quilograma, dois euros], quando antes estava a 50 escudos [45 cêntimos]. Porque há menos produção”, explica.

O maior problema identificado por Rosandro Monteiro é a falta de água. A situação, decorrente da destruição das infraestruturas anteriores, é agravada pela seca que se prolonga há três anos em Cabo Verde.

Pede, por isso, novos furos para captar e abastecer a produção de sequeiro que é feita na aldeia.

“Mobilização de água é o que pedimos”, aponta.

Contudo, outro problema está há muito identificado e cinco anos após o início da erupção ainda não foi ultrapassado. A quase 2.000 metros de altitude não há qualquer posto de médico em caso de acidente no campo – ou outro -, sendo a única solução descer o vulcão até à cidade de São Filipe, a cerca de uma hora de viagem de carro, nem sempre disponível.

“Não há o mínimo de condições ligadas à saúde, caso haja um acidente no campo”, lamenta o porta-voz dos agricultores locais.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here