Alcides Sakala discursava no lançamento da sua campanha à sucessão de Isaías Samakuva, líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) desde 2003, após a morte do líder fundador da organização política, Jonas Savimbi, em 2002.

Com Alcides Sakala concorrem também à presidência da UNITA Adalberto Costa Júnior, Abílio Camalata Numa, José Estêvão Cachiungo e Raul Danda, num processo que terá lugar no congresso do partido a realizar-se de 13 a 15 de novembro, em Luanda.

Segundo Alcides Sakala, a sua candidatura representa a preservação “da memória heroica do saudoso dr. Jonas Malheiro Savimbi, timoneiro da revolução democrática em Angola”, e pretende “valorizar o legado do presidente Samakuva”.

“Reconhecer igualmente o papel desempenhado pelo general Lukamba Paulo Gato, que logo após a morte em combate do presidente fundador, em fevereiro de 2002, dirigiu o partido, criando a comissão de gestão até à realização do IX Congresso” é objetivo da candidatura, disse.

De acordo com Alcides Sakala, aprofundar a democracia interna é um objetivo estratégico da sua candidatura, referindo que a coesão é um dos “pilares mais importantes para a construção da unidade no seio da organização”.

“Desde o IX congresso, a UNITA fez a aposta consciente de aprofundar a democracia interna, introduzindo, também, o princípio de candidaturas múltiplas para a sua liderança. Com este passo prestamos um contributo considerável ao processo democrático nacional”, considerou.

Para o candidato, a diferença de opiniões no partido é de salutar, desde que se tenha o cuidado de encontrar soluções, bem como evitar que se tornem antagónicas.

“Deixo o apelo a todos no sentido de passarmos a vermos os nossos adversários internos como concorrentes da causa comum e não como inimigos”, pediu.

Sobre o país, Alcides Sakala afirmou que atravessa uma situação difícil, “criada pelas sucessivas fraudes eleitorais, má gestão e desvio do erário público, corrupção institucionalizada, pobreza extrema, gritante situação de injustiça social, insatisfação das necessidades básicas da maioria da população, e falta de oportunidades iguais económicas e culturais aos diversos grupos sociais”.

“Perante esta situação e diante dos obstáculos à mudança praticados pelo partido que governa (MPLA), que não é representativo dos interesses da maioria e nem sequer atua frontalmente na resolução dos problemas que diz equacionar, como é por exemplo o caso da seca no sul de Angola, para citar apenas este exemplo, não tivemos outra opção a não ser de apresentar esta candidatura, que procura contribuir para a criação e concretização de um novo projeto de sociedade sobre Angola”, frisou.

A reforma do Estado é um dos desafios da campanha de Alcides Sakala, assunto a que prometeu dar uma “atenção especial”, com o objetivo de “torná-lo cada vez menos partidário e de mais cidadania”.

Alcides Sakala, de 66 anos, natural da província do Huambo, ingressou nas fileiras do partido em 1974, tendo ocupado vários cargos de direção no partido. Foi, na década de 1980 a 1990, embaixador da UNITA nos Estados Unidos da América, Alemanha Federal, Bélgica e Portugal.

Atualmente, Alcides Sakala é deputado, secretário para as Relações Internacionais e porta-voz da UNITA.

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