Vladimir Gomes, porta-voz de um coletivo de jovens, entre estudantes dos liceus de Bissau e lideres de diferentes associações, anunciou hoje que “a decisão de parar tudo no país, já está tomada” e que gostariam que o seu aviso fosse levado a sério.

“Estamos a dar um último ao Governo, ao Presidente da República, presidente da Assembleia, aos sindicatos e a toda gente, se até segunda-feira as escolas não abrirem as portas, vamos parar a Guiné-Bissau em peso”, declararam os jovens.

O aviso dos jovens foi dado no final de uma marcha — inicialmente não autorizada pela polícia — que culminou junto ao busto de Amílcar Cabral, “pai” da independência do país e de Cabo Verde, a quem ‘testemunharam’ a “tristeza pelo país que é hoje a Guiné-Bissau”.

De velas acesas e de joelhos diante do busto de Cabral, os jovens entoaram canções revolucionarias e fizeram discursos de reprovação pelo comportamento dos adultos pela forma como estão a conduzir a Guiné-Bissau.

“A luta de Amílcar Cabral não era apenas para termos luz e água nesta terra. Cabral lutou para que o seu povo tenha dignidade e para que assim seja toda gente tem que ir à escola”, enfatizaram os jovens.

Segundo os jovens, Amílcar Cabral sonhava fazer da Guiné-Bissau “a Suíça de África” e se hoje reaparecesse iria sentir vergonha do país, onde “em pleno século XXI a população ainda reclama escola”, notaram os jovens.

Se até segunda-feira as portas das escolas não reabrirem, os jovens dizem que a sua força e revolta serão sentidos em todo país.

As escolas públicas guineenses não iniciaram desde a abertura oficial do ano letivo em outubro devido a uma greve dos professores que reclamam, entre outros, o pagamento de salários em atraso e a implementação do estatuto da carreira docente.

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