A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou esta quinta-feira que as conclusões da análise anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) à economia moçambicana indiciam que o país não deve ter um programa de assistência financeira até 2022.

“A diferença de opinião [entre o Governo e o FMI] sobre o estado da economia reforça a nossa opinião de que um programa do FMI em Moçambique é improvável no horizonte das nossas previsões, de 2018 a 2022”, escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Num comentário às conclusões do FMI ao abrigo do artigo IV, que analisa anualmente as economias dos seus países-membros, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas dizem que “não está em perspetiva uma normalização das relações”.

O FMI, dizem os analistas, alertou para os desequilíbrios macroeconómicos e defendeu mais austeridade para diminuir a despesa pública, mas o Governo “mantém a tese de que a economia já ‘virou a página’ desde o escândalo das dívidas ocultas, com as previsões das autoridades a apontarem para um crescimento de 5,3% em 2018, o que compara com as previsões de cerca de 3% da EIU e do FMI”.

Para os analistas da Economist, a diferença nas previsões não é, ainda assim, o mais preocupante para os possíveis investidores neste país africano.

“Mais preocupante é o impacto potencial da crise financeira na economia real, com o FMI a avisar que o excesso de endividamento está a criar vulnerabilidades macrofinanceiras no sistema bancário local e que os atrasos nos pagamentos aos fornecedores podem chegar a 20% do PIB em 2023 se continuarem ao ritmo atual”, lê-se no comentário da EIU.

O Fundo, argumentam, já deixou claro que o recomeço do apoio financeiro “depende de o país restaurar a sustentabilidade da dívida e apertar a política orçamental, mas o Governo, como se esperava, não fez quaisquer progressos reais em nenhuma das áreas”, escrevem os analistas da EIU.

“Pensamos que a exclusão dos mercados de crédito internacionais e uma falta de liquidez no mercado interno vão forçar o Governo a controlar o endividamento, mas os níveis da dívida devem continuar muito acima dos limites do Fundo para países de baixo rendimento e dependentes de matérias-primas”, concluem os analistas.

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