Angola tem grande interesse em reforçar os laços de amizade e cooperação com a Federação Russa, afirmou ontem, em Joanesburgo (África do Sul), o Presidente da República, João Lourenço. O Chefe de Estado, que falava num encontro com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, à margem da 10ª Cúpula do BRICS, disse que Angola conta bastante com a parceria da Rússia, para potenciar o desenvolvimento económico. João Lourenço referiu que, depois de 16 anos de paz efectiva, o país tem uma agenda diferente, virada para o desenvolvimento da economia, tendo convidado os empresários russos a investirem em novos domínios económicos em território angolano. “A presença russa na economia angolana é, sobretudo, na indústria extractiva, mas gostaríamos imenso que as grandes potencialidades actuais da Rússia se fizessem presentes também em Angola, noutros domínios”. O Presidente disse haver abertura para o investimento russo.

O Presidente da República, João Lourenço, e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, concordaram na necessidade da elevação do nível das relações económicas e comerciais entre os dois países, num encontro que mantiveram ontem, em Joanesburgo (África do Sul), à margem da 10ª Cimeira do BRICS.

João Lourenço declarou a Vladimir Putin que a participação da Rússia na economia nacional ocorre, sobretudo, na indústria extractiva e que as autoridades angolanas pretendem ver expandida essa cooperação a outros domínios.

“A presença russa na economia angolana é, sobretudo, na indústria extractiva, mas gostaríamos imenso que as grandes potencialidades actuais da Rússia se fizessem presentes também, em Angola, em outros domínios”, afirmou o Presidente da República.

O Chefe de Estado solicitou o envolvimento de empresários russos na economia angolana, para ajudarem o país a concretizar uma agenda de desenvolvimento projectada depois de 16 anos de paz.

João Lourenço notou que, “ao longo dos 42 anos de independência, a Rússia sempre esteve do nosso lado na luta contra o regime do Apartheid, que ameaçava Angola e a África”, declarando ao seu homólogo que “o povo angolano nunca esquecerá essa amizade, forjada na luta”.

“A Rússia apoiou Angola no período da guerra fria e, quando alguns países consideravam os angolanos de terroristas, os russos foram dos poucos que os consideraram um povo com dignidade”, acrescentou o Presidente da República.

O Chefe de Estado russo, que recebeu João Lourenço para o encontro, declarou que Angola e a Rússia já têm uma “boa e longa história” de amizade, mas não possui laços comerciais à altura do potencial das duas economias, propondo uma discussão sobre o assunto nas conversações que se desenrolaram a seguir.

“O volume do nosso comércio bilateral por enquanto não é grande, mas temos um grande potencial e bons projectos para aumentá-lo”, afirmou Vladimir Putin, que disse apreciar a oportunidade de abordar a questão com João Lourenço.

As relações bilaterais, apontou, são activas no domínio da política de segurança e no âmbito das organizações internacionais, afirmou Vladirmir Putin, declarando apreciar o apoio que Angola presta ao seu país na Organização das Nações Unidas.

Integraram a delegação que participou nas conversações os ministros das Relações Exteriores, das Telecomunicações e Tecnologias de Informação e o ministro de Estado e director do Gabinete do Presidente da República, Manuel Augusto, José Carvalho da Rocha e Eldetrudes Costa.

Também participaram o assessor diplomático do Presidente da República e a embaixadora da África do Sul, Victor Lima e Filomena Delgado. João Lourenço manteve também um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Combate ao proteccionismo

A 10ª Cimeira do Brasil, Rússia, Índia e África do Sul (BRICS) encerra hoje, depois de ter cumprido dois dias de trabalhos, com a realização de um fórum de negócios e encontros bilaterais, em que foram denunciadas as medidas comerciais proteccionistas dos Estados Unidos e foram estabelecidas decisões tendentes a elevar a preponderância do bloco no sistema multilateral de trocas.

O grupo das cinco economias emergentes mais relevantes do Mundo traça, assim, o que o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, declarou, na abertura da cimeira, ser uma agenda de desenvolvimento, para o que reconhece como o grande potencial que esses países possuem para desencadear uma acção colectiva em prol de uma nova ordem nas trocas mundiais. A esse respeito, o ministro sul-africano do Comércio e Indústria, Rob Davies, declarou no BRICS Business Forum, na quartafeira, que os países do bloco devem reforçar os laços para mitigar o impacto da turbulência no comércio mundial.

Depois das disputas tarifárias, que desde Março opõem, a nível bilateral, os Estados Unidos (EUA), à China, Canadá, México e à União Europeia, a cimeira do BRICS afigura-se uma oportunidade para o bloco elevar a sua influência no comércio internacional, que consideram ainda dominado pelas velhas potências.

As divergências que opõem os EUA àqueles países ou blocos, advertiu Rob Davies, podem ter profundas implicações na economia mundial. “Vivemos tempos de uma enorme turbulência no sistema global de comércio global e, na verdade, uma crise no sistema multilateral de comércio”, declarou Rob Davies, no BRICS Business Forum, que marcou o início da cimeira.

“É este o momento em que devemos reforçar e aprofundar a parceria entre os nossos países”, que considerou se terem tornado “danos colaterais” da política comercial conduzida pelos Estados Unidos.

No discurso que proferiu a seguir, o Presidente da China, Xi Jinping, instou os Estados a condenarem o proteccionismo: “devemos ser resolutos contra o unilateralismo”, declarou.

Expansão da influência

Participam na cimeira os Chefes de Estado e de Governo do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Vladimir Putin, Xi Jinping, Narendra Modi e Cyril Ramaphosa, respectivamente.

O encontro conta com reuniões bilaterais entre líderes e sessões especiais dedicadas ao BRICS Outreach – para estabelecimento de diálogo com representantes de oito países africanos – e o BRICS Plus – com economias emergentes não filiadas ao bloco.

Estão a participar na cimeira Chefes da Estado e de Governo de Angola, Namíbia, Gabão, Senegal, Uganda, Ruanda e Togo, além dos da Argentina, Jamaica, Turquia, todos convidados pelos líderes das cinco potências emergentes mundiais que pertencem ao bloco.

“A presença russa na economia angolana é, sobretudo, na indústria extractiva, mas gostaríamos imenso que as grandes potencialidades actuais da Rússia se fizessem presentes também, em Angola, em outros domínios”.

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