“Deveremos continuar a lutar também para eliminar as causas, como a pobreza, a má distribuição da renda, as desigualdades em cada um dos nossos países, catástrofes naturais e a falta de políticas de Estado inclusivas”, afirmou Manuel Augusto à imprensa angolana antes do início da 32.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da UA, que começa hoje em Adis Abeba.

Uma das soluções, apontou Manuel Augusto, que representa na Cimeira o Presidente angolano, João Lourenço, passa por melhorar o nível de vida dos cidadãos dos países africanos, através do desenvolvimento de programas económicos que criem empregos para a juventude.

À imprensa angolana, que enviou um conjunto de jornalistas à cimeira, Manuel Augusto destacou, no entanto, como “positivas” as reformas em curso na UA, lideradas pelo Chefe de Estado do Ruanda, Paul Kagamé, também presidente em exercício da organização, salientando que os líderes africanos estão a dotar a organização de meios humanos e materiais para prossecução dos seus objetivos.

O ministro angolano referiu que o processo de reformas na organização é “consensual”, admitindo, porém, que a forma de implementação “nem sempre é unânime”, pelo que se está a trabalhar para que a cimeira possa tomar algumas decisões.

Apesar dos passos já dados, Manuel Augusto reconheceu que, nos últimos anos, “houve muitos acontecimentos bons e outros negativos”, como as guerras, as endemias e as crises humanitárias, “que tiveram um impacto no trabalho da organização”.

O chefe da diplomacia angolana recordou que “o mais importante” de todo esse processo gerido pela UA é o “radicalismo de mudança” gerado em 2018, um processo conduzido por Kagamé.

“Estamos em condições de dizer que África, enquanto continente, deu passos significativos para alinhar com a tendência mundial dos grandes blocos regionais. Naturalmente esses processos levam tempo”, referiu.

No seu entender, os diferentes níveis de desenvolvimento e os interesses “nem sempre coincidentes” dos vários Estados “condicionam em muito, ou limitam a velocidade com que as lideranças africanas gostariam de ver” aprovadas as reformas.

Apesar de existirem visões diferentes sobre os vários assuntos, destacou as reformas aprovadas no último ano, “embora ainda sujeitas a alguns retoques”, aspetos que serão objeto de discussão ao detalhe, por exemplo, a forma de eleger os executivos da organização.

Lembrou que o grande acontecimento do ano, no quadro das reformas, foi a aprovação do Acordo da Zona de Livre Comércio Continental, um acordo “muito importante” para África e para o resto do mundo.

“Sendo a África o maior depositário de matérias-primas, tudo o que se aprova e se adota em matéria da integração económica continental tem impacto noutros continentes, particularmente nos compradores das matérias-primas e no setor dos equipamentos e serviços”, argumentou.

A 32.ª Cimeira, sob o lema “Ano dos Refugiados, Retornados e Deslocados Internos: Soluções Duráveis para o Deslocamento Forçado em África”, é presidida pelo Presidente do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, que assume a presidência rotativa da organização, a partir de hoje.

A reunião das lideranças africanas será marcada pela análise das mais importantes questões da atualidade, como a implementação da decisão da reforma da organização, as eleições realizadas em 2018 no continente, a integração regional, a situação de paz e segurança, a situação humanitária e a análise do orçamento para 2019.

Na sessão, Kagamé, que cessa as funções de líder da organização continental, vai apresentar um relatório sobre o processo de reformas em curso na instituição, como resultado da 11.ª Sessão Extraordinária da Cimeira dos Chefes de Estado sobre Reformas, realizada de 17 a 18 de novembro de 2018.

Na sessão, o presidente da comissão da União Africana deve apresentar um relatório sobre a situação de paz e segurança em África e as ações empreendidas pela organização relativas a matéria em 2018.

A situação de crises no continente, sobretudo em países como a RDCongo, RCA, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Burundi, Somália, e informações atualizadas sobre a implementação do “roteiro mestre” para silenciar as armas até 2020, bem como os processos eleitorais realizados em 2018 nos Camarões, RDCongo, São Tomé e Príncipe e Serra Leoa também farão parte do relatório de paz e segurança.

A cimeira abordará também a questão do combate ao terrorismo e ao extremismo violento em África.

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