Angola e Nigéria instam partes da Guiné-Bissau a concluírem o processo eleitoral

Angola e Nigéria consideraram hoje que as eleições legislativas na Guiné-Bissau, há dois meses, foram "livres e justas" e instaram as autoridades a "completarem o processo", quando há um impasse sobre a composição do parlamento e formação do Governo.

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Num comunicado conjunto dos ministros das Relações Exteriores dos dois países, que se reuniram quinta-feira em Abuja, Manuel Augusto e Geoffrey Onyeama salientaram que a situação na Guiné-Bissau foi um dos vários temas abordados no encontro bilateral, destinado a analisar a Agenda de Desenvolvimento dos dois países e de África.

“Reconhecendo a situação política na Guiné.Bissau, os dois ministros felicitaram o povo e os atores políticos guineenses pela atmosfera pacífica em que as eleições foram realizadas e consideradas livres e justas, e instaram as autoridades relevantes a completarem o processo”, refere-se na nota, que não alude às dificuldades pós-eleitorais ligadas à composição do Parlamento e à formação do Governo.

Sobre as relações bilaterais, lê-se no comunicado conjunto enviado hoje à Lusa, Augiusto e Onyeama indicaram que, apesar de “excelentes”, devem ser aprofundadas a cooperação socioeconómica e cultural, bem como a “enorme oportunidade” de alargá-la aos domínios do comércio, investimentos e petróleo, tendo em conta que a Nigéria e Angola são os dois maiores produtores de petróleo em África.

Outro ponto em destaque na reunião foi a análise à implementação do Memorando de Entendimento sobre o Acordo Bilateral do Espaço Aéreo (BASA), assinado recentemente entre a Nigéria e Angola, que não é, porém, comentada.

Os dois países lembram o “papel importante” que a Nigéria desempenhou na libertação de Angola e garantiram esforços conjuntos em prol da intensificação da colaboração que visa melhorar o nível de paz, estabilidade e de segurança na sub-região, sobretudo no Golfo da Guiné.

“Considerando a importância da paz e segurança no Golfo da Guiné para o desenvolvimento sustentável da região, os ministros sublinharam a necessidade de os membros da Comissão do Golfo da Guiné honrarem o seu compromisso financeiro de forma a permitir que a Comissão funcione efetivamente”, lê-se no documento.

Por outro lado, e no quadro da crise económica global, dos desafios das mudanças climáticas e do terrorismo, Augusto e Onyeama afirmaram estarem de acordo com a “necessidade de uma ação colectiva para combater todas as ameaças para o desenvolvimento sustentável” em Angola, na Nigéria e no continente.

Os dois países decidiram, por fim, marcar para Luanda, ainda este ano, a realização da 5.ª Sessão da Comissão Conjunta Nigéria-Angola, de forma a tornar possível a conclusão dos acordos de cooperação negociados entre os dois países.

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