Mais de três mil personalidades de todo o mundo, entre eles 18 ministros, secretários de Estado e homens de negócios, discutem, a partir de amanhã, em Lisboa, no Fórum de Energia de África, os avanços tecnológicos e as oportunidades de investimento no sector.
De acordo com um comunicado da EnergyNet, a empresa organizadora, “vários ministérios e inúmeros investidores do sector já confirmaram a participação na edição deste ano do Fórum de Energia de África”, que regressa à Europa, depois da realização do encontro, no ano passado, nas Ilhas Maurícias.

A organização espera uma intensa troca de conhecimentos sobre tecnologia do sector, no encontro que decorre em Lisboa de amanhã até sexta-feira. O Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, inaugura o evento e deve, também, “apresentar o processo de concurso para 1,35 GigaWatts (para 2019) e 700 MegaWatts (para o início de 2020) de projetos fotovoltaicos” no seu país, segundo os organizadores.

Citado no comunicado, o diretor-geral do evento, Simon Gosling, afirmou que a ideia de realizar o Fórum em Lisboa “foi calorosamente acolhida pelo Governo de Portugal, que continua a colocar as parcerias, o conhecimento e a transferência de tecnologia e oportunidades económicas firmemente nas mãos de quem está disponível para os receber” e acrescentou que “isto é especialmente verdadeiro nos países lusófonos, onde se estão a observar grandes investimentos nos sectores de recursos naturais e eletricidade”.

Entre os governantes dos países lusófonos, estão confirmados, além dos portugueses, o ministro das Obras Públicas de São Tomé e Príncipe, Osvaldo Abreu, o ministro da Indústria, Comércio e Energia de Cabo Verde, Alexandre Dias Monteiro, e o ministro da Energia, Indústria e Recursos Naturais da Guiné-Bissau, António Serifo Embaló.
“O Fórum de Energia de África acolhe um grande número de decisores do sector público de todos os cantos do mundo, com cerca de 46 por cento de africanos, sendo que 21 por cento do total dos delegados são líderes políticos e legisladores.

Busca de investimentos

Angola e Moçambique são alguns dos países que vão procurar investidores no fórum, a par da Costa do Marfim, Marrocos, Nigéria, Egito, Ghana, Quénia, Uganda, África do Sul e Etiópia.

“Irão apresentar os seus mais recentes projetos e oportunidades de investimento neste ambiente fechado de networking, que ganhou a reputação de não ser só o maior fórum de energia de África, mas o maior fórum de energia do mundo”, disse ainda Simon Gosling.

Oportunidades em Angola

Autoridades angolanas vão aproveitar o Fórum de Energia de África para atrair investimento privado, num sector que precisa de mobilizar quase três mil milhões de dólares para as infraestruturas até 2022, para elevar a capacidade atual de geração de energia, passando dos atuais 3.334 MegaWatts para 7.500 MegaWatts. Está previsto que 500 MegaWatts venham a partir de energias novas e renováveis.

De acordo com o Plano de Ação do sector para o período 2018-2020, o objetivo do Governo é passar de uma taxa atual de eletrificação do país de 42 para 50 por cento e ligar mais de um milhão de novos clientes (200 mil por ano), ao longo de todo o território nacional, com ênfase para as sedes de província, suas áreas urbanas, periurbanas e nas sedes de município.

No total, o programa prevê atingir 2,6 milhões de clientes em 2022. A taxa de eletrificação mínima em todas as províncias deve ser de 20 por cento e todas as 106 sedes municipais devem, até 2022, ser servidas pelo Sistema Elétrico Público. “O investimento privado será fundamental para atingir essa meta, quer em médias e grandes hidroelétricas, quer em novas centrais térmicas a gás, como é o caso do Soyo 2 e Malembo 2”, estabelece o Plano de Ação, que pretende superar os 1,5 GigaWatts de potência instalada, com investimento privado em 2022.

Apostas do Executivo
O Fórum de Energia de África ocorre numa altura em que o sector elétrico, em Angola, vive uma fase de transição e de saída de um longo período marcado pelo défice de geração e por um fornecimento não fiável e com constantes apagões.

Para o Executivo, o sector da Energia e Águas assume-se como uma peça fundamental da estratégia para o desenvolvimento económico e social do país. Daí o Programa de Governo estabelecer metas ambiciosas para a governação no período 2018-2022, ao nível do acesso à energia elétrica e à água potável e ao nível da capacidade instalada e das energias renováveis.

Energias renováveis mais baratas

Um dos pronunciamentos mais aguardados no Fórum de Energia de África é da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). A instituição estima que, em 2020, os gastos de produção de energia elétrica, a partir de fontes renováveis, serão mais baratos do que a tradicional, gerada a partir da queima de combustíveis fósseis.
Num relatório recente, baseado numa média global, a agência indica que a redução de custos deve-se ao impulsionamento gerado pelo crescimento da produção e pelas melhorias tecnológicas no sector elétrico.

Ainda segundo a agência, a maior queda, entre 2017 e 2018, está relacionada à energia solar térmica concentrada (CSP). O custo médio global caiu 26 por cento e, em seguida, a bioenergia ficou 14 por cento mais barata.

Já o valor da produção para a geração de painéis fotovoltaicos e de energia eólica onshore (referente às centrais instaladas em terra) caíram 13 por cento. Também foram registadas quedas no curso de produção das hidroelétricas para 11 por cento e eólicas offshore (em alto mar) para 1 por cento.

Após estudos destes números, a organização prevê que, até ao ano que vem, a eletricidade produzida a partir da energia eólica e solar fotovoltaica seja consideravelmente mais barata do que a gerada por qualquer fonte de combustível fóssil, responsável por causar grandes danos ambientais, como, por exemplo, as emissões de gases causadores do efeito estufa. Ainda segundo o último relatório da IRENA, a energia renovável já é a fonte de eletricidade mais barata em muitas partes do mundo.

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