Segundo a ministra da Cultura angolana, Maria da Piedade de Jesus, a chegada de angolanos no primeiro assentamento colonial inglês na América do Norte, em agosto de 1919, também marcou o início da migração forçada de africanos para os atuais EUA.

A mensagem da ministra da Cultura de Angola, em relação ao Dia Internacional da Abolição do Tráfico Negreiro, que hoje se assinala, foi apresentada pelo secretário de Estado do setor, Aguinaldo Cristóvão, durante uma palestra sobre a chegada dos angolanos no Primeiro Assentamento Colonial norte-americano.

Foi em agosto de 1619 que os primeiros navios portugueses transportando africanos que haviam sido raptados e vendidos como escravos no território que viria a ser Angola chegaram à cidade de Jamestown, no estado da Virgínia, na época uma colónia britânica.

Para a governante, a chegada dos primeiros vinte angolanos ao território norte-americano “contribuiu na conformação da cultura afro-americana a julgar pela forte presença dos angolanos durante o século XVII idos, maioritariamente, para as áreas socioculturais Congo, Tumundongo e Ovimbumdo”.

A palestra sobre a chegada dos angolanos no Primeiro Assentamento Colonial norte-americano e também em saudação do ao Dia Internacional da Abolição do Tráfico Negreiro decorreu hoje no Museu Nacional da Escravatura, no distrito urbano do Benfica, sul da capital angolana.

O museu, fundado em 07 de dezembro de 1977 e elevado a património histórico-cultural em 10 de novembro de 1993, tem por missão “recolher, inventariar e classificar, preservar, investigar e divulgar o património histórico-cultural relacionado com a escravatura a nível nacional”.

“Colocando a disposição do público e das comunidades afro descendente da diáspora os resultados das suas investigações para fins educativos, formativos e informativos”, sublinhou.

Em relação ao Dia Internacional da Abolição do Tráfico Negreiro, que hoje se assinala, adotado pela UNESCO através da Resolução 29C/40 de 23 de agosto de 1998, frisou que foi um acontecimento que “marcou um ponto de viragem na história humana”, tendo “um grande impacto no estabelecimento dos direitos humanos”.

Aguinaldo Cristóvão deu conta que a palestra de hoje se “enquadra, perfeitamente, nas grandes políticas públicas viradas para o enriquecimento da história de Angola e a salvaguarda do património cultural”.

O governante considerou que as consequências do tráfico de escravos “são visíveis em todo o território nacional, sobretudo nas localidades onde o fenómeno foi intenso”, pelo que o resgate “desta parte tão importante da história de Angola reveste-se de particular importância”.

“Para a compreensão de certos problemas sociais contemporâneos, tal como para a afirmação da nossa identidade cultural e para que a sociedade possa tirar ilações do passado perspetivando um futuro promissor”, realçou.

Além das ações realizadas pelo Museu Nacional da Escravatura, defendeu o envolvimento de parceiros nacionais e internacionais, universidades, centros de investigação e museus especializados no “aprofundamento da pesquisa” sobre a temática da escravatura.

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