A agência de notação financeira Moody’s reviu hoje a Perspetiva de Evolução dos bancos africanos, de Estável para Negativa, com Angola a ter o maior rácio de crédito malparado e com possíveis revelações negativas da análise aos ativos.

“Um elevado nível de ativos de risco vai persistir, com os empréstimos problemáticos a chegarem aos 23,8% no final de 2018”, escrevem os analistas da Moody’s num relatório sobre a perspetiva de evolução dos bancos africanos, no qual revê o ‘outlook’ para Negativo.

“A revisão da qualidade dos ativos de 12 bancos pode revelar mais fraquezas nos ativos dos bancos”, alertam os analistas no relatório enviado aos clientes, e a que a Lusa teve acesso.

Na análise referente aos três bancos angolanos que a Moody’s avalia (Banco Angolano de Investimentos, Banco de Fomento Angola e Banco Económico, todos B3, abaixo do nível de recomendação de investimento, à semelhança do que acontece com a dívida soberana angolana), os analistas escrevem que as almofadas de capital podem ser pressionadas devido aos resultados da avaliação, aos requisitos de provisionamento mais elevado e à depreciação da moeda.

Por outro lado, afirmam que a liquidez em moeda externa tem melhorado, “apesar de ainda ser desafiada pela falta de dólares nos bancos”, e elogiam as iniciativas do Governo, que têm “ajudado a fortalecer a estabilidade financeira”.

Entre as medidas elencadas, a Moody’s aponta o planeamento das recuperações, o enquadramento de resolução, a melhoria na governação e a reestruturação dos bancos públicos.

Relativamente ao panorama geral, a agência de ‘rating’ explica que “o ‘outlook’ é negativo devido às condições operacionais mais fracas e ao aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos” e acrescenta que “os bancos vão manter a elevada exposição aos seus soberanos, ligando os seus perfis de crédito aos dos seus governos”.

A nível mundial, a economia vai manter-se com um crescimento fraco e a confiança empresarial negativa devido à incerteza sobre a evolução das perspetivas do comércio mundial.

“Em África, a dívida pública é alta e o crescimento do PIB vai continuar abaixo do potencial e insuficiente para aumentar os níveis de rendimento ‘per capita’ e a resiliência económica”, escrevem os analistas, concluindo que “os bancos na África do Sul, Nigéria, Tunísia e Angola vão enfrentar os maiores desafios, enquanto os bancos do Egito, Marrocos, Ilhas Maurícias e Quénia serão os mais resilientes”.

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